Proteína causa dores no estômago e vômitos nos intolerantes, mas é importante para o tenista por ter carboidratos

A discussão no mundo do tênis é se Novak Djokovic se tornará o maior da história, mas poucos têm conhecimento de que a arrancada na carreira do sérvio começou depois de uma dieta celíaca. O líder do ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) era intolerante ao glúten, algo que desconhecia até o fim de 2010.

“Não foi uma nova raquete, um novo exercício, um novo treinador e nem mesmo um novo saque que me ajudou a perder peso, encontrar foco mental e desfrutar a melhor saúde da minha vida. Foi uma nova dieta”, revelou o tenista na autobiografia “Sirva para vencer”. Não se passou um ano desde a mudança e Djoko assumiu o topo do ranking. As dores de estômago e vômitos durante os jogos ficaram para trás.

O glúten é a mistura de proteínas encontradas em cereais, tais como trigo, malte, cevada e centeio. Sendo assim, engloba bolachas, bolos, biscoitos, pão, torradas, cerveja, massas e pizzas. De fato, os atletas que não reagem bem ao glúten devem evitar esses alimentos.

“As proteínas do glúten, como a glutenina, albumina e globulina, estão relacionadas a problemas de alergias e a proteína gliadina tem relação com a intolerância e alergia. Normalmente, os intolerantes (caso de Djokovic) são os portadores da doença celíaca”, explica a nutricionista Mirtes Stancanelli, com especialização em fisiologia do exercício pela Unifesp e mestrado em biologia funcional e molecular pela Unicamp.

Se o tenista – seja amador ou profissional – com doença celíaca insistir no glúten, a performance vai cair. “O atleta que se encaixa nesse perfil irá desenvolver sinais e sintomas que vão diminuir sua performance atlética, como aumento da inflamação no corpo, enxaqueca, manchas nos dentes, anemia resistente, fadiga e irritabilidade”, enumera a nutricionista, que trabalha na Ponte Preta e na seleção de basquete. “Já pensou treinar e jogar com esses sinais e sintomas? Com certeza a performance será prejudicada.”

Um estudo da Unifesp em São Paulo com doadores de sangue identificou que há um celíaco para cada 241 pessoas, o que torna o problema mais comum do que o imaginado. O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais rotineiros e testes sanguíneos específicos.


O OUTRO LADO

DIETA DjokoO glúten não é recomendável apenas para os tenistas que apresentam doença celíaca. Caso contrário, deve ser consumido porque contém alimentos ricos em carboidratos, importantes para a prática do tênis ou qualquer atividade física.

“Massas, pães, cereais e bolos são fundamentais para a saúde, pois favorecem o fornecimento de energia para o atleta e são opções para variar o cardápio. Para quem não tem sensibilidade ao glúten, esses alimentos podem fazer parte do cardápio, uma vez que estejam dentro de porções adequadas (consumo controlado)”, ressalta Mirtes Stancanelli. “Se retirarmos alimentos integrais ricos em carboidratos, perdemos nutrientes, casos das vitaminas do complexo B, zinco, fósforo e cálcio, importantes para a performance”, reforça.

No fim, o segredo para que o tenista obtenha ganho físico está no controle. Se o consumo for maior do que a necessidade, por exemplo, haverá acúmulo de gordura corporal e abdominal.

“O atleta precisa encontrar seu eixo no que diz respeito à saúde. A qualidade vem ao longo dos anos, quando consegue administrar a performance respeitando limites, um padrão nutricional adequado ao longo da vida, com ajuda psicológica para suportar a rotina de treinos, jogos, alimentação, motivação, lidar com cenários diferentes, pressão de si mesmo, dos pais, comissão técnica. A ciência deve caminhar lado a lado com o plano de treinamento”, finaliza a nutricionista.


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