Quando falamos na estação da primavera, a primeira coisa que vem à mente são flores, pelo menos na minha. Mas, quando pensamos em vinho e gastronomia, temos muito mais assunto. Se pensarmos em harmonizações para a estação, temos algumas regras básicas antes de decidir sobre um jantar e seus vinhos.

Com o tempo vocês vão perceber que sou um pouco rebelde em relação a essas regras. No meu conceito, o que importa é fazer o que se quer, o que te deixa feliz. Mas, se puder unir o seu desejo, o seu gosto, com o que é tecnicamente correto, a sua experiência pode ser melhor. Então, vamos lá.

Os ingredientes que conversam bem com a primavera são os legumes, as frutas, as saladas, as carnes leves, as especiarias – que potencializam mais os aromas do que apenas o sabor – e os molhos agridoces, delicados e similares. O objetivo é pensar em um prato que privilegie os aromas, as texturas macias e os sabores mais elegantes.

Para os vinhos, o raciocínio é parecido, e um tipo de vinho que é coringa na estação é o rosé. E, antes de tudo, quero deixar bem claro aqui que o rosé não é vinho de “mulher” – isso é uma bobagem – nem a mistura de tinto e branco. O rosé nada mais é do que um vinho tinto que, no processo de elaboração, a casca da uva fica pouco tempo em contato com o mosto, antes de iniciar o processo de fermentação.

Nos últimos anos, o rosé subiu de patamar no mundo dos vinhos e também no gosto dos enófilos, e seu consumo tem crescido muito. Mas há outros vinhos que conversam bem com a primavera, como o Pinot Noir e os rótulos do Sul da França, mas em geral, para não entrar muito na parte técnica, prefira os vinhos leves com nenhuma ou muito pouca madeira, assim como Merlot, Grenache, alguns Syrahs, Zinfandel e Nero D’Avola.

Agora, você já tem uma ideia dos ingredientes e dos vinhos para a primavera, então vamos para o próximo ponto: a harmonização. Um prato refinado que tem uma dificuldade entre média e fácil na elaboração é o Ratatouille, porque reúne muito do que apresentei acima. É um prato francês da região de Provence, que também é o berço dos melhores vinhos rosés do mundo, mais um motivo para dar certo. Nesse prato encontramos legumes, especiarias aromáticas e molhos leves, ingredientes perfeitos para harmonizar com o rosé.

Também há opções para o dia a dia. Uma delas, muito conhecida, é o estrogonofe, um ensopado de carnes leves (mignon ou frango), com molho muito saboroso. Um prato que cabe na mesa de todos os brasileiros. Para harmonizar, sugiro um rosé do Novo Mundo (Argentina, Chile, Brasil ou Estados Unidos), que vai muito bem porque é mais encorpado do que os de Provence, além de uma boa relação de qualidade e preço. Se não quiser o rosé, arrisque um Malbec, um Carmenére, um Tempranillo ou até mesmo um Alentejano leve.

Já temos algumas opções de pratos, ingredientes e bons vinhos, só falta agora o local. A estação das flores pede ambientes abertos, ar fresco e uma boa conversa. Então desligue a TV e o celular, leve os pratos, os talheres e as taças para a sua varanda ou para o quintal e aproveite seu jantar com a família, os amigos ou algo mais romântico com seu amor.


* Marcelo Rosa é sommelier, gestor do Bistrô da Enoteca e co-criador da Expo Vinho ABC.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor deixe seu comentário!
Por favor preencha seu nome