Ex-número 1 do mundo optou por prótese, procedimento raro no profissionalismo; pensando também no tênis amador, especialista alerta para limitação do movimento e ação do backhand

Com apoio da ciência e histórico de tenistas importantes, entre eles Gustavo Kuerten, a lesão no quadril tem sido tratada de forma conservadora atualmente. Os profissionais evitam ao máximo a cirurgia, buscando manter todas as estruturas – como o próprio labrum (espécie de cápsula do quadril), que foi “ressecado” na operação feita por Guga há quase duas décadas. Porém, em função de fortes dores, o escocês Andy Murray fez duas cirurgias no período de um ano, sendo que na segunda colocou uma placa de metal, e reacendeu o debate sobre os melhores caminhos para o tratamento e prevenção do problema.

A despeito do procedimento cirúrgico, há especialistas que não apontam apenas a influência do forehand em “open stance” como um vilão nessa história, além de enfatizarem a necessidade de identificar o problema no início, por meio das limitações nos movimentos do jogador.
Após uma primeira cirurgia em janeiro da temporada passada, Murray conseguiu jogar somente 14 partidas até o último Australian Open. Caiu na primeira rodada e chocou o tênis ao anunciar, emocionado, a aposentadoria por causa das dores no quadril direito. Semanas depois, encarou nova cirurgia em que optou pela prótese de metal que substitui o fêmur, o osso da coxa. Ao fim do procedimento, comemorou pelo fato de as dores terem dado uma trégua e chegou a divulgar imagens de treinos leves já visando a participação em Wimbledon – possível despedida das quadras -, mas ainda é cedo para dizer que a operação atingiu o resultado positivo.

O fisiatra do time Brasil na Copa Davis, Ricardo Diaz Savoldelli, diz que a prótese pode limitar o desempenho esportivo do ex-número 1 do mundo. “Pelo que eu saiba, nenhuma prótese de quadril ou técnica cirúrgica foi pensada e desenvolvida especificamente para um grupo de atletas voltar a treinar e jogar em alto rendimento”. Ainda segundo o profissional da Ultra Sports Science e fisiatra responsável pela biocinética São Paulo, até pela ausência de procedimentos do tipo, é difícil garantir que as dores desapareçam de vez. “A prótese substituiu a articulação inteira, mas não sabemos se outras estruturas adjacentes vão ser sobrecarregadas.”

Na sequência de uma cirurgia no quadril, entra a reabilitação para amenizar eventuais dores e melhorar a condição muscular, pois sempre existe perde de massa muscular – reabilitação que exige treinos de resistência, força e potência muscular. O reequilíbrio pélvico também deve ser trabalhado, enquanto os gestos do tênis são reintroduzidos gradativamente. Os movimentos de adução (fechar o quadril) e rotações, enfatiza Savoldelli, são os últimos estimulados pela equipe médica.

“Para cada estratégia, existem diversos exercícios que podem ser implementados e saber quais exercícios serão usados, em quais momentos, depende muito do fisioterapeuta e do preparador físico em um segundo momento. Em uma equipe interdisciplinar, essa estratégia é sempre discutida para formar um plano terapêutico de reabilitação. Há uma sequência lógica de eventos e atividades que devem ser realizados, com objetivos de curto, médio e longo prazo. Não deu certo ou não saiu como o previsto, a equipe senta, conversa e traça novos planos. Existe um planejamento”, explicou.

Veja mais sobre ações preventivas em nosso próximo artigo.

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