Um tenista do nível de Andy Murray desfruta de um programa de prevenção de lesões, mas a intensidade do treino com o número de repetições e seu gesto esportivo influenciaram na sobrecarga desta articulação. Como costuma justificar para quem questiona a eficácia do trabalho de prevenção, Ricardo Savoldelli argumenta que essa lesão, sem os cuidados necessários, teria abreviado a carreira do britânico em alguns anos.

Segundo o fisiatra, é comum jovens tenistas apresentarem alterações no quadril, sendo que na maioria das vezes o quadro não começa com dor, mas pela limitação do movimento de rotação do corpo. Nessa faixa etária, o atleta está em desenvolvimento e maturação, tornando a situação mais delicada.

“Essa alteração de amplitude do movimento se inicia de uma maneira bem sutil, sendo que o próprio jogador não percebe. Geralmente, para uma diminuição de amplitude de movimento do quadril interferir no dia a dia (como para sentar, amarrar os sapatos ou subir e descer do carro), a dor está presente. Mais um motivo da importância da avaliação ou do trabalho preventivo, pois o médico e o fisioterapeuta vão investigar sempre essas alterações para identificar antes do início do quadro de dor”, ensina. 

O diagnóstico correto, frisa Savoldelli, é essencial. Quando um tenista afirma que sofre de dores no quadril, os profissionais do tênis ligam o sinal de alerta. Nesse local, a dor pode ter como causa problemas no próprio quadril, porém, também se trabalha com a possibilidade de ser consequência de algo errado em outras regiões do corpo, como na coluna lombar. Também ocorre o inverso.

“Além da anamnese (que são as perguntas feitas ao paciente para entender o problema) e do exame físico (quando o médico examina o paciente, vendo, apalpando pontos álgicos, fazendo testes articulares e musculares específicos) que devemos fazer em todos os pacientes, avaliar e entender o gesto esportivo é muito importante. Devemos saber que tipo de trabalho está sendo realizado na preparação física. Esse conjunto de informações vai nos dar a base para nossa hipótese diagnóstica e, então, pedimos algum exame complementar (radiografia, tomografia computadoriza ou ressonância magnética) para confirmar ou afastar essa hipótese”, enumera o fisiatra, referência no trabalho na área de prevenção de lesões.

Ricardo Savoldelli compara o formato da articulação do quadril a uma bola soquete com ações nos três eixos, possuindo importância ímpar no tênis pois age na cadeia cinética de movimento. Desde a lesão de Guga no local, se comenta sobre a influência do forehand em “open stance” para sobrecarregar o quadril na região anterior (da frente) da articulação coxo femoral. Contudo, com o avanço da ciência, já se levanta a hipótese do backhand ser a possível causa das lesões no quadril.

“A ação do backhand combina uma compressão com rotação, principalmente a partir da fase de aceleração e ataque à bola. O peso do corpo é apoiado no quadril (do membro que está à frente), que gira enquanto o pé fica fixo no chão, sendo envolvidos grandes vetores de força, o que pode gerar mais estresse e sobrecarga sobre os componentes do quadril”, comenta o fisiatra, ao revelar que organiza estudo para comprovar ou afastar essa teoria.

Por fim, o especialista esclarece que todo tenista profissional deve fazer exercícios para a mobilidade articular do quadril e controle pélvico.

Para os amadores, Savoldelli também alerta para que não procurem acompanhamento apenas quando a dor surgir. Ele lembra que, nos dias de hoje em que ficamos muito tempo sentados, os músculos e tendões dos membros inferiores são encurtados, há queda da “lubrificação” natural das articulações e mudanças posturais que acabam por sobrecarregar ainda mais a articulação coxo femoral.

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