Desempenho em quadra está relacionado com o estilo de vida do jogador, conforme explica pioneiro na área

No tênis de alto rendimento, assim como em outros esportes, o treino desenvolve o jogador para ser um campeão, mas requer disciplina extra-quadra. O desempenho também tem ligação com o estilo de vida do atleta, que precisa se alimentar de forma saudável e respeitar o relógio biológico, entre outros fatores. Uma noite mal dormida, por exemplo, pode valer um título.

Há cerca de cinco anos, o médico Fábio César dos Santos trouxe ao Brasil a Medicina do Estilo de Vida – que desperta o olhar para a saúde, acima da doença. Essa prática se apoia em quatro pilares: alimentação, atividade física, controle do estresse e o sono, fundamental pensando no treinamento em dois períodos e com várias horas de duração.

“Se o esportista que se encaixa no alto rendimento não tiver uma rotina ou hábito bem equilibrado, talvez comece a burlar uma refeição, o sono, e nesse desrespeito ao relógio biológico o rendimento cairá muito”, exemplificou o médico cardiologista, um dos líderes mundiais do movimento de Medicina do Estilo de Vida e diretor nacional do True Health Initiative.

Com raras exceções, os tenistas que não respeitam os quatro pilares têm resultados piores. Há relatos de jogadores com talento ímpar que não seguem um bom estilo de vida e ainda assim obtém sucesso, porém, frisa o doutor, desperdiçam a oportunidade de acumular resultados positivos por um período mais longo.

“O esporte amador tem uma linha de observação parecida, mas nem todos encaram dessa forma. Acaba a prática e o cara vai para o churrasco, bebe e come muito, tem prazer com isso e não consegue fazer a relação óbvia de que, se for equilibrado na alimentação, se limitar o álcool e o tabaco, dois pontos bem importantes nesse estilo de vida, o rendimento vai ser bom, ele vai aproveitar mais o esporte e ter mais saúde. No esporte de alto rendimento, claramente o atleta percebe porque vai chegar mais rápido na bola, ter mais força para aquele ponto”, compara Fábio César.

O tenista de alto rendimento precisa de atividades para aumentar competências, melhorar o equilíbrio, força, agilidade e a mente, fator que pode causar um desequilíbrio se não estiver bem. Mas não apenas isso, quando se fala em estilo de vida, é necessário estar em paz com a vida social, a família e a parte espiritual. “Se você não tiver esse equilíbrio entre todas as áreas, se não respeitar o relógio biológico, até pensando na alimentação, o corpo começa a não entender e o desempenho fica ruim”, alerta o médico. “E aí você pode caminhar para o outro lado da história, de repente a recuperação fica ruim, causa fadiga, daí sai de uma curva de desgaste que seria adequada e progredi para um overtraining, esgotando o organismo e perdendo todo o fio da meada. Perde na vida esportiva e na social, atrapalhando o trabalho e o relacionamento. O sistema biológico é muito inteligente e precisa ser respeitado”, enfatizou.

A Medicina do Estilo de Vida nasce com pilares bem definidos. O primeiro é sobre dieta e nutrientes, comida de verdade e rica em vegetais é a grande chave. O segundo pilar é atividade física, prato básico de um atleta. O terceiro é o controle do estresse, um dos grandes problemas da humanidade. O quarto pilar é o sono, com foco no respeito do nosso relógio biológico, procurando dormir um sono de qualidade e com número de horas suficiente para levar à reparação e rendimento adequados

O especialista classifica o relógio biológico como um Big Ben, uma central no cérebro que conversa com vários relógios em diversas partes do corpo. “O que percebo no tênis, com trabalhos científicos, é a perda de foco forte quando o jogador não tem o sono adequado. O diferencial de uma hora (no sono), com certeza, determina muitos resultados. Se o atleta não tiver disciplina, acaba adoecendo. Encontramos muito overtraining”, repete o cardiologista, que transmite a Medicina do Estilo de Vida aos tenistas que valorizam o conceito.

Ainda no tema relógio biológico, ele afirma ser fundamental todo tenista receber informação a respeito para compreender a importância, assim como o técnico. É bom que o conhecimento seja estendido à família, para que se entenda quando esse tenista não vá a um evento social à noite por conta do treino no dia seguinte.

“No dia a dia, eles (tenistas) ouvem muito e batem a nossa porta buscando melhora de performance física e mental, além do foco, é o que chamo de expansão da consciência porque sabem que isso começa a fazer grande diferença, principalmente com o passar dos anos.”

METODOLOGIA

Fábio César dos Santos trabalha em cima do conceito da medicina 4P, baseada no caráter preventivo, preditivo (para entender o que pode acontecer no caminho do esporte, como por exemplo a questão genética já tratada em edições anteriores da Winner), participativo (abrindo discussão do tema com os atletas) e personalizado.

Na próxima edição da Winner, abordaremos com mais ênfase o aspecto do controle do estresse, relacionado à depressão e que tem sido um problema na carreira de tenistas.

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