Igual a um pintor, bernardense ‘esculpiu’ 1º ponto com experiências na América do Sul e na Turquia

Lucas Dourado largou o tênis competitivo de forma precoce, mas marcou o nome na história do esporte graças ao ponto que conquistou na ATP. E o feito desse bernardense mostra como é difícil fazer parte do seleto grupo. Antes de entrar na lista, ele fez gira pela América do Sul e até na Turquia, países em que se aperfeiçoou ao lado do treinador Ricardo Coelho – que também é colunista da Winner ABC.

“Eu e minha equipe ficamos quase dois meses e meio disputando torneios na Turquia e o Ricardo sempre falava que os brasileiros só aprendem a jogar quando vão para a Europa. Isso é verdade. Só depois que fui para lá vi o que era o tênis. Seis meses depois, diversos tenistas que participaram desses campeonatos estavam jogando com o Federer, Murray”, recorda Dourado, que também diz ter testemunhado o lado sujo da modalidade, referindo-se ao esquema de apostas.

Na verdade, a primeira viagem internacional já aconteceu aos 14 anos, quando fez pré-temporada na Argentina visando a preparação adequada para se colocar entre os 20 melhores da América do Sul. Com 16, arriscou-se em futures e chegou a entrar na chave principal de um torneio profissional.

“Na segunda experiência internacional fiz uma gira pelo continente, em todos os países. Fui com outro companheiro que treinei a vida inteira (Caio Laureano). Foi a primeira viagem que fomos sozinhos. Nos viramos com nosso próprio dinheiro, ficando em hotéis muito ruins. Mas foi bem legal, atuamos em diferentes tipos de climas, quadras e culturas. Durou um mês”, conta o jovem.

Depois de muito treinamento e intercâmbios longe do Brasil, Lucas Dourado finalmente estava em condições de buscar o 1º ponto na ATP. Mas, como em outras histórias contadas nessa revista, a família precisou fazer a diferença.

“O 1º ponto que eu conquistei foi em julho de 2012, na época eu tinha 17 anos. O future foi disputado em Pelotas/RS. A história desse ponto foi meio curiosa. Se não me engano, o torneio começava na terça-feira e eu tinha comprado passagem para quarta. Eu tinha desistido, mas meu pai conseguiu mudar a passagem até Porto Alegre e de lá pegaria um ônibus até Pelotas. Lembro que cheguei na terça-feira, às 12h, e meu jogo seria às 14h30. Um pouco cansativo”, lembra o tenista do ABC, que superou o cansaço físico e mental e realizou o sonho.

“Eu havia vencido um campeonato na sexta-feira e no período até a estreia em Pelotas tive a oportunidade de treinar com pessoas muito boas, como se fosse um profissional. No dia da partida, diante do Felipe Frias, eu estava bem calmo. Perdi de 6 a 4 no primeiro set e aí vi que realmente poderia ganhar. Me concentrei depois, como nunca”, lembra Dourado, sem esquecer de cada detalhe. “De tão concentrado eu não sabia o que estava acontecendo há um metro da quadra, poderia cair um avião que eu não estaria nem prestando atenção. E assim ganhei os dois últimos sets, por 6 a 1. Nem acreditava na hora, só à noite parei para pensar em tudo. Foi um momento mágico.”

Lucas Dourado também se orgulha de ter jogado com Thiago Monteiro, hoje um dos principais tenistas brasileiros, e de uma vitória sobre um francês que ocupa o top 300 da ATP atualmente. Porém, o bernardense admite que o esporte deixou de ser prioridade com o passar do tempo. O encanto se perdeu com a falta de apoio e pela questão psicológica, principal deficiência na curta carreira.

“Joguei seis chaves principais depois do 1º ponto e não consegui ganhar pois estava totalmente desconcentrado, não acreditava mais em mim na época e percebi que gastava muito dinheiro. A falta de patrocínios no Brasil é uma coisa impressionante. Na Europa, jogadores sem pontos têm patrocínio de roupas, material e dinheiro para viagens”, compara o jovem de 22 anos, que não tem dúvidas que faria parte do ranking profissional neste momento – jogando challengers – se ainda estivesse no tênis.

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