Com conhecimento, parceria com filhos pode fazer alegria da família

No tênis e em outros esportes, há os pais levados pela emoção e sem conhecimento que fazem as vezes de treinador – atrapalhando o trabalho do profissional -, mas também existem os técnicos preparados para a função que orientam os próprios filhos. Em se tratando da modalidade, um exemplo do segundo caso no ABC Paulista é Edson Santos, que moldou Rafaela e Vinícius para o esporte. Atualmente, a dupla mora nos Estados Unidos disputando competições universitárias de tênis, que propiciou bolsa de estudos a ambos.

“Como passo bom tempo na quadra, foi natural que eles experimentassem o tênis por curiosidade com aquele pensamento: ‘como é o trabalho do pai, o que ele faz todo dia de shorts e boné?’ Então, eles começaram a frequentar a academia, mas não depositei expectativa nenhuma, não forcei nada, até porque sei da dificuldade. Eles iam uma vez por semana, de sábado, faziam uma aula de tênis e outra de natação”, recorda o professor e técnico. “Sendo do esporte, acho essencial para a criança ter essa vivência e foi assim com eles.”

Nos primeiros treinos, Edson buscou repetir aos dois que não haveria diferença no tratamento com os demais tenistas. Sem regalias. “Eu estava na função de professor, não de pai.”

A partir do momento que os dois pegaram gosto pelo tênis, fundamental na visão de Edson, a família também ganhou em união. Não seria mais necessário ao pai ficar dias, meses longe dos filhos.

“Mas sempre procurei preservar a relação com eles, que fosse boa dentro de quadra para não estragar em casa. Criamos algo bom, que era assistir só depois de um tempo o jogo, conversar como foi e chegar em casa, não falar mais a respeito. Na beira da quadra, o pai fala, aí imagina, vai para casa e continua falando? Procuramos tomar cuidado com isso. Sempre busco separar o momento de ser pai e de ser treinador”, enfatiza.

O fato de ter conhecimento da parte técnica, tática, física e psicológica, ou seja, todos os aspectos que envolvem o tênis, facilitou a tarefa do atual responsável pelo tênis na academia Tênis & Cia.

“As pessoas precisam entender que o processo é gradativo no tênis. Quando comecei a levá-los na academia, não tinha a expectativa de quanto iriam jogar. Sempre cobrei de treinar, horário, disciplina, mas não evitei choro, nem quebra de raquetes. Você precisa orientar, mostrar que não é barato. Todo o empenho tem que ser deles e meu também. Tem pais que colocam o garoto na quadra e acham que ele vai treinar tantas horas por dia e vai ser campeão. Não é assim, temos que fazer eles pegarem gosto e, assim, dando um passo de cada vez”, explica o treinador. “Quanto mais eles se desenvolviam, aumentávamos o número de horas na quadra. Foi um comprometimento meu e deles. Abriram mão de infância, de festas como garotos normais, pensando em recompensa na frente, e eu também. Se não estiverem gostando muito do que estão fazendo, o abandono é iminente. Não tem como.”

Edson diz que a relação com os filhos sempre foi boa, apesar da responsabilidade em atingir metas – nada imposto pelo pai e técnico. “O tênis em casa era tratado como, de fato, ele era, o sustento da família. Tinha que ter respeito, comprometimento, sem fazer de qualquer forma, dando 100%, até porque seria difícil se eles não conseguissem. Eu, sendo treinador de tênis, não conseguiria bancar”, frisou. Dentro desse contexto, bastava a Rafaela, Vinícius e o próprio Edson fazerem o melhor. E assim foi, até a decisão pelo tênis universitário.

“Não tenho receita de sucesso, nem como pai ou treinador. Na vida, já vi várias receitas do que não deve ser feito, de insucesso, aqueles comportamentos agressivos com crianças, excesso de cobranças, vivenciei muito. Na condição de treinador, tinha que conversar com os pais, ou, como árbitro, você precisa recriminar aquilo, tem regras para parar. Conhecedor dos erros, procurava não cometer também, porque era a receita para dar errado. Me policiei muito, aprendendo com os erros dos outros. Os pais mesmos podem aprender com os erros dos outros, ver e não fazer igual”, concluiu, com saudades dos velhos tempos com os filhos. Gabriela, a mais nova dos três, joga tênis, mas ainda não se interessa por competição.

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