Falar dos cotovelos no tênis é quase uma obrigação. A articulação do braço é fundamental na modalidade e tão usada em cada golpe. Exatamente por este motivo sofre desgaste constante, levando às dores e possivelmente às lesões. A cada treino ou jogo é importante utilizar a “dobradiça” braçal com cuidado, já que diferentes problemas podem surgir. É o que alerta o ortopedista e especialista na área Dr. Luís Gustavo P. Nascimento, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo e Mestre pela Santa Casa de São Paulo.

“O tênis é um esporte que exige energia explosiva centenas de vezes durante um jogo. As lesões do membro superior são muito comuns. Quando o paciente se apresenta com dor no cotovelo precisamos estar atentos aos diagnósticos diferenciais como a Síndrome Compressiva do Nervo Interósseo posterior, sinovite do cotovelo (inflamação do tecido sinovial), tendinites em geral, lesão osteocartilaginosa, artrose do cotovelo, entre outros”, enumerou.

Para evitar qualquer uma destas lesões, ou ainda outras, o treinamento e a “pegada” deve sempre ser corrigida. Cada detalhe da forma de golpear ou mesmo segurar a raquete faz toda a diferença. “A empunhadura e os golpes da batida da bola no tênis envolvem utilização extensiva dos músculos extensores na região dorsal do antebraço. A atividade destes sem o seu devido repouso levam a fadiga dos mesmos e, consequentemente, as microlesões. Adaptações como utilizar as duas mãos neste tipo de golpe previne este tipo de lesão. Com isso as forças de impacto são distribuídas entre os dois membros superiores, além de forçar a rodar mais o tronco na fase de preparação do golpe aumentando a energia angular, evitando assim esforço de um braço isoladamente. Problemas ocorrem devido ao movimento de backhand com o cotovelo à frente sem completar o movimento até o final da batida”, diz o especialista, usando situações de jogo na explicação. “Além de corrigir a técnica, como realizar o complemento dos golpes de forma adequada, deve-se evitar bater as bolas atrasadas. Procure fazer o contato da bola com a cabeça da raquete com o cotovelo posicionado sempre em extensão e preparar bem a rotação do tronco antes do golpe de backhand para poder fazer a batida com o cotovelo em extensão. Também é importante usar a força de flexão dos joelhos no saque.”

Outro ponto muitas vezes fundamental é o material utilizado pelo tenista. Não adiantará bater corretamente, fazer o uso da forma proporcionalmente, evitar a fadiga, se não usar uma raquete com detalhes importantes para diminuir o peso sobre a articulação.

Tendões Cotovelo
Foto: Divulgação

“A epicondilite lateral pode estar associada a raquetes inadequadas. Relacionado a empunhadura, a circunferência desta deve ser igual a distância da prega palmar proximal à ponta do dedo anular. Quanto a tensão nas cordas recomenda-se que evite elevados tensionamentos das mesmas, sempre preferencialmente abaixo de 57 para prevenir lesões. Outra recomendação ainda se faz em outras medidas para diminuir trepidação que se transmite ao cotovelo com a utilização de raquetes leves e com perfil largo na cabeça (diminui a vibração), de grafite e com cordas com maior número de fibras. Outro ponto é evitar jogar com bolas muito velhas”, explicou.

Obviamente, exercícios específicos também ajudam na prevenção. “Torna-se fundamental um trabalho preventivo de manutenção do alongamento e fortalecimento da musculatura não só do antebraço, mas de todo o membro superior desde a cintura escapular, ombro, braço, até a mão.”

Se mesmo com todos os toques os cotovelos doerem é importante amenizar o quadro com repouso controlado da atividade. O uso de anti-inflamatórios, crioterapia (gelo) e medidas fisioterápicas como ultrassom, laser, eletroestimulação, microcorrentes e outros são importantes adjuvantes na analgesia. Já a infiltração com corticóide é uma alternativa na tentativa de melhora da dor principalmente nos atletas que não respondem prontamente a outras medidas analgésicas. A fisioterapia é gradualmente utilizada do nível básico até o avançado.

Em geral a reabilitação envolve um período de 10 a 12 semanas.

Imobilizador Funcional - Brace
Foto: Divulgação

A utilização de um imobilizador funcional (brace) ao nível do cotovelo limita a expansão da musculatura extensora no terço proximal do antebraço e também é uma outra forma de cuidado. “Os pacientes que se submeteram ao protocolo de tratamento por pelo menos seis meses, sem que a dor fosse controlada, são candidatos ao tratamento cirúrgico. Vale ressaltar que este grupo é a minoria, visto que a maior parte dos pacientes melhoram com tratamento clínico (não cirúrgico)”, alertou Nascimento, lembrando da importância da passagem com seu médico regularmente.


O famoso “Cotovelo de Tenista”

Se o nome epicondilite lateral foi apenas lido, poucos vão se lembrar exatamente do que é. Porém, se o apelido de “cotovelo de tenista” for utilizado a maioria já terá ouvido sobre. Na articulação do cotovelo, a mais comum das lesões é, indiscutivelmente, a epicondilite lateral, popularmente conhecida como cotovelo de tenista.

“Esta doença vem da origem da musculatura extensora do punho e dedos no epicôndilo lateral do úmero (saliência óssea lateral do cotovelo). Geralmente é causada por sobrecarga ocasionando microlesões mais frequentemente no tendão do músculo extensor radial curto do carpo, seguido do extensor comum dos dedos. A dor em geral inicia-se de forma leve e piora progressivamente na região lateral do cotovelo podendo irradiar para antebraço e punho. Conforme agrava-se as alterações do tendão (tendinopatia), atividades simples como pegar uma garrafa com líquido, um aperto de mão ou abrir uma porta, tornam-se cada vez mais difíceis de serem realizadas. Segundo a literatura médica, cerca de metade dos tenistas tiveram ou terão este tipo de lesão”, contou o Dr. Luís Gustavo P. Nascimento.

Portanto, a partir de qualquer tipo de dor ou incômodo na região vá a um ortopedista e previna que a lesão se estenda. “O paciente estará autorizado a retornar a prática esportiva quando for capaz de realizar exercícios de repetição até o cansaço, sem que ocorra dor e exista força muscular comparável aos níveis que precederam a epicondilite”, finalizou.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor deixe seu comentário!
Por favor preencha seu nome