Tratamento adotado por Rafael Nadal é ideal para lesões comuns ao tênis e pode evitar cirurgias, otimizando tempo de recuperação

Foi com a ajuda da terapia por ondas de choque que o espanhol Rafael Nadal tratou problema no joelho e, contrariando algumas previsões, prolongou a carreira em alto nível. Aplicada de forma simples por equipamentos com tecnologia avançada, essa energia mecânica é indicada para recuperar tenistas com tendinopatias, doenças recorrentes à modalidade e que afetam os tendões – em especial no próprio joelho, ombro e cotovelo, assim como na região do pé.

A maioria das tendinopatias são causadas por esforço repetitivo, daí a preocupação de fisioterapeutas e médicos com anti-inflamatórios e gelo, que apresentam risco de piorar o quadro da lesão. Nesse caso, o tratamento com ondas de choque é fundamental, principalmente se associado com exercícios terapêuticos e correções biomecânicas prescritos pelo especialista em conjunto com o treinador. Conforme frisa o coordenador do Centro de Reabilitação da CORD (Clínica de Ortopedia e Recuperação Esportiva), Alexandre Alcaide, a abordagem deve ser “multimodal”, olhando para a soma de fatores que acarretaram na lesão.

Terapia por ondas de choque joelho

“A terapia por ondas de choque visa a reparação das microlesões, buscando regeneração e cicatrização do tecido (afetado) e cuidando da dor, mas sem ser o mote principal. Tratamos as causas, não os sintomas”, explica o fisioterapeuta, uma das referências nesse método. “As tendinopatias nunca têm apenas um fator para o desenvolvimento, é uma rede de motivos que provoca a degeneração. As ondas de choque melhoram os tecidos, mas não alteram a biomecânica que também colaborou para o problema.”

Alcaide afirma que, na fase inicial da lesão, a fisioterapia pode tratar as causas sem necessidade das ondas de choque. Porém, se as tendinopatias não forem cuidadas desde o início, ocorre degeneração no tendão que transforma a doença em uma tendinose – processo avançado em relação à tendinite porque já não existe mais um processo inflamatório. Nesse caso, o tenista precisa fazer sessões com ondas de choque para reparar as fibras dos tendões.

“O tempo de recuperação (com a terapia por ondas de choque) é muito mais rápido do que estender uma fisioterapia. Tem pacientes que fazem fisioterapia que não é bem escolhida, sem um profissional esportivo por perto e realizam até 40 sessões com pouca evolução. Então, fica um resquício de dor, de sintoma, que volta quando o atleta joga e estimula aquele tendão”, compara o especialista do CORD, que tem quadro de tenistas entre os pacientes na clínica esportiva. 

“A recuperação do tenista é muito mais rápida com terapia por ondas de choque. O tratamento cirúrgico só deve ser uma escolha depois da falha na fisioterapia e nas ondas”

Pela experiência com o tratamento, Alcaide diz que a terapia não é invasiva, além de ser feita diretamente em um consultório e o melhor: reduz a dor e cura a lesão em 70 a 80% dos casos. “Principalmente se acompanhada de exercícios específicos que melhoram a biomecânica do atleta, diminuindo o fator de causa. Ou seja, fatores ligados a forma de pisar, aterrisagem após o salto e posturas dinâmicas de corrida que fazem o tenista ter predisposição ao desgaste de tecidos tendíneos e fasciais.”

Baseando-se em uma modalidade que exige intensidade quase diária dos jogadores, seja nos treinos ou nos jogos, a terapia por ondas de choque também pode evitar cirurgias e afasta o risco de infecções, além de otimizar o tempo de recuperação. A operação apenas é indicada quando falhar o tratamento com fisioterapia e as ondas.

Nadal agradece 

Com um 2019 brilhante, Rafael Nadal está com a saúde em dia, mas passou por momentos difíceis com o joelho solucionados justamente com o auxílio da terapia por ondas de choque, conforme recorda Alexandre Alcaide. “As tendinopatias patelar, no joelho, são comuns em tenistas e fez o Nadal sofrer muito, reduzindo a força de arranque dele, assim como a força propulsora”, lembra. “Com o tratamento através das terapias por ondas de choque e da prescrição de exercícios pelo fisioterapeuta que o acompanha, ele apresentou evolução da biomecânica dos movimentos dos membros inferiores. Isso permitiu longevidade esportiva em alto nível competitivo até os dias de hoje”, argumentou Alcaide.

Vilão dos amadores, cotovelo é tratado com ondas e correção da biomecânica

Terapia por ondas de choque cotovelo

Conhecido popularmente como cotovelo de tenista, o problema físico nesse local do corpo incomoda muito tenistas amadores e é aí que se recomenda a terapia por ondas de choque. O tratamento ajuda na regeneração do tecido que conecta os músculos extensores do punho à região do cotovelo, essenciais para o movimento associado à prática do tênis.

“É mais comum em amadores porque o movimento da técnica, muitas vezes, não é adequado e isso causa fator de sobrecarga maior nessa musculatura”, aponta o fisioterapeuta do CORD, Alexandre Alcaide. “A onda de choque auxilia para a maior circulação sanguínea e cicatrização desses tecidos, bem ligados ao osso e à região da epicondilalgia (cotovelo de tenista), da dor”, enumerou.

“Temos que lembrar que o sangue é essencial para levar os fatores de crescimento para os tecidos, pois são irrigados com oxigênio. Então, nunca restringir a vascularização e chegada de sangue é o tratamento ideal”, acrescentou Alcaide.

Para resolver definitivamente o incômodo, porém, é importante que se trabalhe em cima da melhora da biomecânica, assim como o movimento do backhand e verificar a tensão da raquete, quesitos associados a todo o processo de causa da epicondilalgia.

“Se o tratamento seguir conforme o planejado, o fisioterapeuta vai fazer orientação quanto ao volume e intensidade dos treinos. O repouso total não é indicado na maioria do tratamento das tendinopatias”

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