Lesões na região dos braços acontecem normalmente por excessiva exposição às atividades físicas

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Foto: João Pires / Fotojump

Quando os médicos passam para seus pacientes tenistas que o período de treinos e jogos devem ser bem pensados, com intervalos condizentes e cuidados especiais, não é à toa. O exagero nos treinos, partidas repetidas, sem a devida estrutura, podem trazer diversas lesões e uma das mais comuns no mundo do tênis é na região do punho. Vide Rafael Nadal, Novak Djokovic e o caso mais emblemático da história recente com o argentino Juan Martin Del Potro, que quase encerrou a carreira por causa deste tipo de problema.

Há um desgaste constante e por isso o punho sofre tanto? Não é bem assim. “As lesões do punho não ocorrem bem por desgaste, mas sim por sobrecarga, isto é, repetitivos traumas às estruturas do punho, que tendem a sofrer devido elevado estresse. A empunhadura é um fator importante pouco levado em consideração, sendo que as tipo Western e Semi Western são as que mais favorecem as lesões, assim como o backhand com as duas mãos”, explicou o ortopedista e traumatologista, Luiz Fernando Michaelis.

Resumindo, o tenista ativo terá em algum momento que redobrar as atenções para a região do  braço. A melhor forma de se cuidar antecipamente é evitar posições e empunhaduras que geram desconforto e se alongar adequadamente. “Quanto ao treino físico e o resto do treinamento do atleta, vale lembrar de evitar mais trauma ao punho, pois ele já é submetido a suficiente estresse durante as partidas.”

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Foto: João Pires / Fotojump

O médico lembra que muitas vezes o atleta não dá a devida importância para o fortalecimento muscular. Se um jogador de futebol precisa se atentar aos músculos envolta dos joelhos para evitar rompimento dos ligamentos, o tenista tem de visar as diferentes partes do braço. “Muitas vezes vamos a academia e esquecemos de fortalecer os músculos do antebraço, sendo que esses são essenciais para o bom desenvolvimento e para evitar lesões no punho. Os músculos do antebraço são os que movimentam nosso punho e absorvem o choque das batidas na bolinha e dissipam as forças que passam pelo punho.

Um antebraço forte evita lesões piores. Lembrar sempre que, da mesma forma, o alongamento dessa musculatura tem imensa importância”, especificou, sem se esquecer de ratificar que o jogador com dores não deve se automedicar. “O uso indiscriminado de anti-inflamatórios ainda é causa frequente de falência renal aguda e úlcera gástrica no Brasil.”

Como nem sempre conseguimos seguir todas as dicas pelas mais diferentes circunstâncias, caso a dor apareça nos punhos, algumas precauções podem ser tomadas de imediato. Se a dor for leve e tolerável pode-se seguir o protocolo: realizar repouso (inicialmente 7 a 10 dias para esses tipos de lesão); gelo no local da dor (deixar as compressas de gelo 20 minutos cerca de cinco vezes ao dia por cinco dias); compressão da lesão se houver inchaço local (a diminuição do edema pode ocorrer com a compressão se a dor for tolerável).

“Caso a dor seja intensa, não tolerável ou se já for um caso de dor crônica, procure um ortopedista para avaliação. Trabalhos indicam que a demora para o diagnóstico e início do tratamento de algumas lesões pioram o prognóstico e atrasam o retorno saudável do tenista às quadras”, concluiu Michaelis.


Tendinite ainda é o maior problema

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Foto: João Pires / Fotojump

Diferentes tipos de adversidades podem aparecer na região dos punhos, porém, a mais comum ainda é a temida tendinite. “Infelizmente a tal da tendinite é a lesão mais comum do punho e do antebraço do tenista, sendo a mais comum delas a do Músculo Extensor Ulnar do Carpo. Lembrando que a ulna é o osso do antebraço que fica medial (do lado do dedo mindinho) e o rádio fica lateral (do lado do polegar) e os músculos flexores do punho são do lado da palma da mão e os extensores do lado do dorso da mão. Outras tendinites comuns são as do Flexor Ulnar do Carpo e do Flexor Radial do Carpo”, comentou Luiz Fernando.

O problema ocorre em diversas partes do corpo após um grande número de repetições sem o descanso necessário ou preparação corporal para realizar a função. “Outra tenossinovite que ocorre em tenistas é a Sd. de De Quervain, que é a lesão do primeiro compartimento extensor do punho, que contém o Abdutor longo do polegar e o Extensor curto do polegar.”

O especialista em ortopedia ainda cita outros tipos de problemas no punho que podem trazer dores de cabeça para o tenista. “Outra importante lesão de partes moles é a lesão da Fibrocartilagem Triangular, que funciona como um menisco entre os ossos do punho e os do antebraço do lado ulnar do punho e também estabiliza a articulação do punho com suas estruturas ligamentares. Os ossos que podem ter lesões, mais comumente, são o hamato (lesão do gancho do hamato), o semilunar e, mais raramente, o escafóide, sendo que são reportados casos de fraturas por estresse (overuse)”, finalizou.

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