O tênis é, em grande parte, um esporte de corrida. Todos os golpes têm o trabalho de pernas, com exceção do saque. Atualmente, vemos Nadal, Federer e Djokovic com movimentação impecável e a maioria dos espanhóis se mexe bem, em função da metodologia que usam

Dicas do Ricardo CoelhoEntre os profissionais, é difícil ver um jogador com problemas nesse aspecto, que determina o sucesso dos tenistas de elite. O Federer é rápido, muito em virtude da percepção, leitura do jogo e de ser extremamente coordenado. São fatores, inclusive, que diminuem o desgaste do suíço durante as partidas.

Para você entender melhor sobre o tema, explicaremos componentes fundamentais trabalhados com juvenis e profissionais, inclusive movimentos em quadra que servem de estímulo.

Percepção: é ter uma leitura de onde seu adversário vai bater, assim você terá mais tempo de chegar na bola.

Força: vários tipos ajudam, tais como o levantamento olímpico, agachamento, entre outras atividades, te ajudarão a coordenar as pernas.

Equilíbrio: o trabalho nas plataformas vai melhorar bastante seu equilíbrio na hora de golpear a bola. É recomendável procurar profissional capacitado para te preparar corretamente a fim de evitar lesões.

Agora, entrando mais na prática, vou usar minha experiência na Espanha – onde fiquei uma temporada para saber o segredo dos espanhóis.

Dicas do Ricardo CoelhoLá, em todos os momentos do treino, o tenista não fica parado. Os exercícios sempre visam a movimentação. Como eles dizem na Espanha, se você não chegar atrasado na bola, vai bater bem, é isso o que eles buscam à exaustão.

Eles trabalham dessa forma desde a iniciação. Quando o menino faz 16 anos tem uma movimentação eficiente. Você não vê um espanhol se mexendo mal, justamente por conta dessa metodologia. Claro que o tênis evoluiu, mas eles não param e se adaptam às mudanças.

Segundo estatística da ITF (Federação Internacional de Tênis), o jogo é disputado a três metros de diâmetro da linha de base do meio. Sendo assim, temos que trabalhar essa região da quadra e fazemos isso por meio do duplo ritmo, que são passos curtos e rápidos. Quando a bola é mais rápida, porém, é necessário dar os passos mais largos e quando você vai se aproximando da redonda, aí sim, ajusta com passadas curtas. A ideia é ter o equilíbrio necessário para acertar o golpe da melhor forma. Quando a bola chega mais lenta, você se mexe com o duplo ritmo.

Pensando nos exercícios para te ajudar em quadra, peça para o professor ou treinador lançar bolas curtas e fundas porque, assim, você se movimenta e é estimulado a se ajustar para bater como o tênis moderno exige. Os espanhóis trabalham muito isso com o famoso “X”, que engloba uma funda de direita, uma curta de esquerda, uma esquerda funda em seguida e finaliza com a direita curta.

Trabalhando esses exercícios, com uma frequência de duas a três vezes por semana, por cerca de 20 minutos, você já vai sentir uma grande diferença. Espero ter ajudado um pouco em sua movimentação, que é fundamental em um jogador de tênis.

Até a próxima.


Ricardo CoelhoRICARDO COELHO é coordenador técnico da Hebraica. Na função de técnico, viajou para três torneios Grand Slam com Júlio Silva, Rogério Dutra Silva e a argentina Maria Argeri. Formou-se em biomecânica aplicada ao tênis, em curso internacional da ATP e nos cursos de níveis 1, 2, 3 e 4 da CBT e ITF

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