Trabalho social utiliza o tênis como ferramenta para as crianças aprenderem sobre a vida

Quando se formou na faculdade de Educação Física, Lais Romanholi não sabia o bem que poderia fazer ao próximo. Há dez anos, a então recém-formada percebeu que com todo o conhecimento conquistado poderia ajudar as pessoas, focando principalmente nas crianças e utilizando o esporte como centro de formação, não apenas de atletas, mas cidadãos de bem.

“Desse dia em diante criamos um trabalho científico voltado para o tênis e apresentamos em diversos congressos, sendo bem recebido e assim percebemos que poderíamos colocá-lo em prática”, comentou a presidente do Projeto Ace Para Vida, que hoje já está espalhado por duas escolas de São Bernardo.

Como de praxe, o início não foi fácil. Primeiramente pela dificuldade em se encontrar espaço para jogar tênis e principalmente para que as instituições entendessem a ideia do projeto e ajudassem.

Após alguns meses de trabalho árduo, a Creche Menino Jesus abriu as portas juntamente da instituição Projeto Amigo, ajudando no que podiam. “Tínhamos as crianças e não tínhamos o espaço para desenvolver o projeto. Nesse meio tempo conheci o Maurício, dono da academia Top Spin, do qual sou muito grata a ele e sua família que nos acolheu durante oito anos sem cobrar um centavo do projeto”, enfatizou Lais.

Os materiais foram chegando de doações de amigos, uniformes, bolas, e o que faltava era completado pela presidente. Os professores eram amigos voluntários que abraçaram a causa. O início já contava com cerca de 40 crianças. “Íamos nas instituições mais próximas da academia e falávamos com a diretora responsável, que escolhia as crianças para  o projeto”, lembra.

Após um ano, diversas crianças já participavam das competições da Liga ABC de Tênis, conquistando títulos. Para motivar a participação dos pequenos, a entidade não cobrava a anuidade, além dos clubes que apenas pediam uma taxa simbólica.

Com o crescimento do número de aulas na semana veio também a cobrança na vida pessoal dos menores. “Eles começaram a treinar mais e mais e passamos a pedir boas notas na escola. Além disso, como o nome dos golpes do tênis são em inglês, conseguimos também uma professora para ensinar outro idioma e formamos duas turmas.”

Após muito sucesso, o primeiro baque. A Top Spin acabou vendida e a casa das crianças ruiu. Persistindo em manter o sonho, a equipe do projeto conseguiu fechar uma parceria com o Clube Ford, mesmo que por tempo determinado. A partir daí o Ace para Vida ganhou uma reestruturação.

“Decidimos levar a ideia para as escolas, com profissionais de tênis, se juntando aos professores de educação física, e adaptando a modalidade nas escolas. Fizemos que os educadores entendessem a ferramenta educacional do tênis por várias características, entre elas cognitiva, física, técnica, comportamental. Hoje, atendemos aproximadamente 400 crianças de 5 anos em diante”, contou.

Apesar de todas as dificuldades e a constante busca por patrocinadores, o projeto Ace Para Vida segue firme e forte, sempre sonhando mais alto. “Sobrevivemos graças aos eventos e vontade de toda a nossa equipe. Qualquer projeto esportivo com objetivo social não é fácil. Escolhi o tênis pelo reforço dos valores individuais, além de valorizar as capacidades, superar desafios e os obstáculos do dia a dia. Vários aspectos do tênis podem favorecer a formação de cidadão e interferir na organização das comunidades que estão inseridos”, concluiu.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor deixe seu comentário!
Por favor preencha seu nome