Prestes a viajar para os Estados Unidos, Aninha fecha ciclo no juvenil com a realização de um sonho em Paris

Ana Paula MeliloPelo ranking, Ana Paula Melilo não teria condições de cumprir neste ano uma das metas a curto prazo da carreira: jogar um Grand Slam. A posição na lista juvenil tornava quase impossível a entrada no qualifying dos quatro principais torneios, mas havia um porém que mudou a história de uma carreira. Restava a chance de uma vaga destinada ao Brasil em Roland Garros por meio de seletiva nacional. Aninha, que é conhecida por crescer em momentos de pressão, acreditou, agarrou essa única vaga – diante de algumas das melhores juvenis do país – e concretizou um de seus sonhos. Na França, passou pela fase classificatória e só parou na 1ª rodada da chave principal. Além das lembranças, como uma homenagem na quadra principal e até os autógrafos, ficou o aprendizado.

Treinada pelo ex-profissional Juninho, no São Bernardo Tênis Clube, a jovem acaba de completar 18 anos. Em boa parte de 2017, conciliou as atividades em quadra com os estudos para passar em exame obrigatório de inglês, visando mudança de endereço para a universidade North Florida, nos Estados Unidos – para onde vai dentro de dois meses com bolsa e despesas pagas. Voltou a focar somente no tênis nesta temporada. No fim, deu tudo certo.

Ana Paula Melilo e Rafael Nadal“A sensação de jogar no complexo de Roland Garros é doida. Você sente muita coisa ao mesmo tempo. É pressão com alegria e nervosismo, tudo. Acho que lidei bem com isso, melhor que as duas meninas que

enfrentei no triangular qualificatório. Entrei em túnel de concentração porque parecia que eu estava no clube (em São Bernardo), só mantinha meu foco no Juninho e no jogo. Se eu pensasse onde estava, olhasse para fora, bateria um pouco de desespero”, revelou Aninha em entrevista exclusiva à Winner ABC, sobre a experiência única em Paris.

Depois de entrar na chave principal do juvenil, Aninha teve direito de treinar no clube de tênis de Roland Garros, que fica a 200 metros do complexo mas que só permite acesso de técnicos e jogadores. Lá, encontrou e tirou fotos com Nadal e, acima de tudo, aprendeu mais. Ela é obsessiva por treinos de profissionais, busca absorver o máximo.

Ana Paula MeliloAntes de estrear em Roland Garros, a tenista do ABC recebeu homenagem na Philippe Chatrier em meio à programação dos jogos dos profissionais. Depois da euforia, hora de retomar a concentração. Como era de se esperar, uma pedreira logo de principal: a suíça Lulu Sun, cabeça de chave 14. A despeito do favoritismo da oponente, a brasileira chegou a ter um set point, mas desperdiçou. “Só não fechei o 1º set por nervosismo”, lamentou. Mesmo assim, caiu em dois sets com a cabeça erguida.

Segundo ela, os jogos em Roland Garros serviram para mostrar que, muitas vezes, a diferença da vitoriosa para a derrotada está apenas na experiência, rodagem no tênis. “É o que muda, por ela ter uma bagagem maior de jogos e eu não ter disputado muitos torneios grandes. No Brasil, você acaba ficando um pouco para trás. De bola, vi que estou próxima”, analisou.

Pensando na transição para o profissional, Aninha revelou que nos últimos meses trabalhou no aperfeiçoamento do próprio jogo.

Ana Paula Melilo“Nos Estados Unidos, eu vou evoluir meu jogo em quadra rápida, já que aqui os treinos e partidas são mais no saibro. Vou vivenciar torneios em equipe, que gosto, tem o clima de Copa Davis. Vou aprender muito”. Bem-vinda ao profissionalismo, Aninha.

“Um ponto que eu ganharia no juvenil não vou ganhar no profissional, porque A adversária vai devolver outra bola”

Juninho Tennis

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