Após acidente, Lucio Umeki perdeu o movimento dos membros, mas encontrou na modalidade a melhor forma de seguir a vida

O tênis como ferramenta de inclusão, saúde e sobretudo uma nova vida. Este pode ser o resumo para o cadeirante e tenista Lucio Umeki, de São Caetano. Após um acidente de moto em 2011, o para-atleta perdeu o movimento dos membros e teve que se reinventar para continuar a vida. De repente, sem ao menos esperar, uma raquete estava grudada em sua mão – literalmente – e o tênis deu um novo ar para a vida.

Entrevista com Lucio Umeki“Após o acidente fiquei um bom tempo no hospital e ainda depois na fisioterapia, cerca de um ano e meio de reabilitação até ter alta. A fisioterapia era aquela coisa monótona, fechada e procurei um esporte para substituir o trabalho. Passei pelo tênis de mesa, basquete de cadeira de rodas, vôlei sentado e nenhum agradou totalmente. Um amigo veio ver o tênis para cadeirante, vim junto e gostei bastante. A partir de 2013 iniciei a adaptação e não parei mais”, relembra.

Umeki enfrentou dificuldades no início do processo, apesar da paixão à primeira vista pela modalidade. A cadeira para jogar tem de ser especial e como está qualificado como Quad (com dificuldade em todos os quatro membros), ele precisava “dar um jeito” para segurar a raquete. “No começo não sabia nem tocar a cadeira, usava uma de rua, não era a adaptada. Veio a especial, bem mais leve e aos poucos aprendi. Depois veio a questão de realmente segurar a raquete e tentei de tudo: elástico, gases, esparadrapo, todos com alguma dificuldade ou preço alto. Acertei com a fita de embalagem, ao grudar bem, fixar na mão ‘amarrando’ a raquete”, explicou.

Entrevista com Lucio UmekiAlém dos obstáculos técnicos, o para-atleta levou um período até entender o tênis, ter os macetes, movimentos e táticas do jogo. A partir da melhora surgiu a oportunidade de ser classificado junto à ITF (Federação Internacional de Tênis). “Passei por uma junta médica, que analisou meus movimentos, membros ruins, força nos dedos, vários detalhes. Assim acabei classificado como Quad e passei a disputar competições. Foi aí que aprendi mais, observando outros atletas e os enfrentando. A evolução acontece principalmente jogando, não é apenas no treino.”

O crescimento veio acompanhado de títulos e boas colocações em campeonatos internacionais, mas todos disputados no Brasil. Para subir mais, a necessidade de sair do país é notória e repleta de adversidades. “Minha vontade é sair para disputar torneios fora, melhorar mais e assim evoluir na carreira. Porém, falta patrocinador para ajudar, já que as viagens saem do bolso. Para inscrições de competições daqui, todo o material para jogar e treinamento, eu conto com a ajuda da CR Tennis”, citou o quarto melhor do ranking nacional. A academia de tênis funciona dentro do São Caetano Esporte Clube, contando ainda com o apoio da Prefeitura Municipal – através das Secretarias de Esporte e também da Municipal dos Direitos com Deficiência ou Mobilidade Reduzida – além do Hospital Beneficência Portuguesa.

Fã de Novak Djokovic e sonhando em disputar um dia os Jogos Paralímpicos, Lucio não esconde que o tênis modificou sua vida para melhor, em todos os quesitos. “Sempre fui otimista e o tênis me trouxe mais foco, movimentação, ajuda física e psicológica. Ajuda muito na cabeça, tira a mente dos problemas, é uma terapia. O tênis é 80% a cabeça”, enfatizou, almejando ainda que o tênis para deficientes seja mais divulgado e isso ajude a todos os que precisam no dia a dia.


Trabalho Árduo

Lucio Umeki não está sozinho em São Caetano, já que treina ao lado de outros cadeirantes, que também conquistam bons resultados. Tudo isso só é possível pelo trabalho realizado pelas profissionais de Educação Física e sócias Cassia Lorenzini e Rosemary de Almeida, proprietárias da CR Tennis.

“Este ano está complicado pelo momento que o país passa, mas não desistimos. Às vezes temos pouco apoio aqui de dentro do Brasil, mas a própria ITF nos ajuda bastante doando material ou fazendo cursos de reciclagem. Estamos sempre em contato e eles reconhecem o projeto. A ideia é sempre atender mais pessoas e com o esporte trazer uma meta mais abrangente”, finalizou.

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