Jofre Porta descobriu o ex-número 1 Carlos Moyá e treinou por quase uma década Rafael Nadal, o rei do saibro

O 10º título de Rafael Nadal em Roland Garros consagrou o tenista e sua comissão técnica atual, mas um homem em especial não pode ser ignorado nessa história: Jofre Porta. O espanhol treinou o ‘Toro Miúra’ dos 9 aos 17 anos, moldando o menino que se transformou no rei do saibro, quase imbatível.

Jofre Porta - Formador de Campeões
Foto: Divulgação

Antes de Nadal, Porta já havia entrado no cenário do tênis mundial ao descobrir Carlos Moyá, a quem conduziu ao título em Paris em 1998. Sendo assim, o currículo do técnico contempla dois jogadores que ocuparam o posto de número 1 do mundo.

Jofre Porta - Formador de Campeões
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A Winner fez entrevista exclusiva com Jofre Porta para entender o por que do sucesso da Espanha no tênis, especialmente no saibro. Das últimas 25 taças de campeão em Roland Garros, 15 foram para a armada – modo como é chamada a equipe de tenistas locais. Também aproveitamos o conhecimento do professor para falar sobre as novas tendências do esporte e não poderíamos deixar de entrar neste assunto que domina as rodas de conversas nos clubes e academias: o fenômeno Rafael Nadal.

“Creio que o Rafa nasceu para ganhar Roland Garros. Seu DNA se alimenta da terra das quadras de saibro. Evidentemente, ele é um dos grandes, mas a sua técnica, seu físico, sua mentalidade, seu padrão de jogo, essas características parece que foram desenvolvidas pensando no torneio”, analisa Jofre.

Jofre Porta - Formador de Campeões
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Quando viajou ao encontro de Jofre Porta pela 1ª vez, Nadal estava acompanhado do tio e técnico, Toni. “A verdade é que desde a infância, toda a família, com seu tio Toni no comando, trabalhou valores que foram facilmente levados para a quadra. Qualquer psicólogo entende que um menino criado com esforço, humildade e honestidade terá uma grande atitude”, enumera Porta, esquivando-se do papel de ator principal na formação do jogador. “A educação é facilitada por meio de desafios. Cada tarefa é um desafio e há apenas uma falha: não tentar.”

Esforço, eis uma das palavras preferidas do mestre e que abrimos a deixa para compartilhar a opinião de Jofre Porta sobre o tênis brasileiro. Embora enfatize que não conhece a modalidade por aqui a ponto de fazer uma avaliação, ele aponta o perigo em uma característica própria das nações latino-americanas.

“Os países dessa região tendem a valorizar muito o talento e isso, quase sempre, é uma maldição. Atitude, esforço, atitude e esforço. Eu amo uma frase: o trabalho duro vence o talento quando o talento não trabalha duro”, compara o treinador.

Voltamos a Nadal. Já falamos da combinação perfeita com Roland Garros, o acompanhamento da família e o esforço para chegar ao nível de excelência. Para Jofre, outro fator em que o ex-pupilo prevalece é na parte mental, em que atua por instinto. E ainda tem mais peculiaridades.

“O Rafa desfruta mais de competir do que de ganhar, isso o leva a compreender o jogo com a ilusão de uma criança”, explica o professor, ao iniciar o raciocínio para enumerar os motivos para as voltas por cima na carreira do rei do saibro, que já superou lesões e fases ruins. “Ele tentou mudar o estilo de jogo. Encurtar pontos, jogar mais dentro da quadra… mas isso não é possível sem um revés paralelo como ele mostrou ou com a melhora do saque exibida. Além disso, tentar separar a mente da tática, do físico e do controle emocional (para fazer essa análise) é um erro.”

E os segredos desse tenista, afinal? “Gostaria de pensar que há segredos, fórmulas que o levaram ao sucesso. Mas seria falso. Foi feito um trabalho muito bom com ele, mas não melhor do que com outros caras que ficaram pelo caminho”, aponta o treinador, que tem uma academia de tênis em Mallorca, onde tem prazer em formar e compartilhar experiências com técnicos de outros países, como por exemplo com Ricardo Coelho, colunista da Winner – que já participou de clínicas com Jofre.


MOYÁ E TÊNIS NA ESPANHA

Jofre Porta - Formador de Campeões
Foto: Divulgação

Humilde, Jofre Porta costuma dizer que não tinha muito conhecimento na época em que comandou Carlos Moyá e que a saída foi aprender junto com o pupilo. O técnico destaca o espírito competitivo do campeão de Roland Garros de 1998, que hoje treina o próprio Nadal.

“O apoio de Carlos (para o Nadal) é de muitos anos atrás. Foi um irmão maior, sempre apoiando e aconselhando. Na sua época de atleta, Carlos mostrou que não era necessário nos deixar para ter sucesso no tênis, nunca vou agradecê-lo de maneira suficiente.”

Referência em treinamento na Espanha, Jofre afirma que o tênis local se sustenta em dois pilares. “Aqui, os jogadores não estão superprotegidos como em outros lugares e há um calendário excelente de competição”, opina. Quando se refere à “independência” dos tenistas, o professor fala metodologia no país de se estimular a capacidade de decisão do jovem, como também suas capacidades cognitivas.

Porta, entretanto, revela preocupação com o futuro e crê que a renovação de jogadores tem sido mais demorada. Em outras palavras, as novas gerações já não apresentam a mesma força das anteriores.

“Políticas mal entendidas e as escolas particulares estão formando atletas fora de nossas fronteiras e levaram a existir apenas 8 no top 100 e que não são muitos jovens”, preocupa-se.


FUTURO DO ESPORTE

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