Os movimentos da modalidade forçam a coluna vertebral, exigindo preparado adequada do atleta para evitar lesões

Entre os ossos da coluna chamados de vértebras, temos o disco intervertebral que tem como principal função o amortecimento dos impactos da coluna vertebral. Esse disco é formado por duas porções, uma mais externa chamada anulo fibroso, formada por colágeno, e uma interna chamada núcleo pulposo, formada principalmente por água e ácido hialurônico, este último com um aspecto de gel. Em volta da coluna não podemos esquecer que temos ligamentos e a musculatura que a protegem e são responsáveis por sua movimentação.

A dor na coluna lombar chamada de lombalgia pode ser devido lesões no ligamento, musculatura ou articulações (chamada de faceta articular) e é mais comumente no disco intervertebral.

O disco é, sem dúvida, a região responsável pela maior causa de dor na coluna. A dor é principalmente devido ao deslocamento ou ruptura do disco intervertebral chamado de hérnia de disco. O processo de formação dessa hérnia se inicia quando o anulo fibroso, formado por uma malha de colágeno, começa a se romper. Na maioria dos casos, essa ruptura ocorre lentamente e nosso corpo dá sinais, sendo o principal deles uma dor lombar que pode iniciar leve e, à medida que aumenta a ruptura do disco, a dor se intensifica. Quando há uma ruptura total do disco e extravasamento deste gel para além dos limites do disco, a dor muitas vezes muda de local com irradiação para os membros inferiores.

A dor na hérnia de disco é devido ao contato dele com as estruturas nervosas. Dependendo da intensidade desse deslocamento do disco e o contato com os nervos, diversos sintomas podem ocorrer, desde uma dor localizada na região lombar até dores irradiadas para os membros inferiores. Casos mais graves podem, além da dor, evoluir com dormência, anestesia ou perda de força em alguma parte do membro inferior.

O tênis é um esporte que força a coluna vertebral devido a dois fatores: a corrida com mudança rápida de direção e principalmente ao mecanismo de torção da coluna. Sabemos que a coluna resiste muito bem ao mecanismo de flexão e extensão, mas apresenta uma menor resistência aos mecanismos de torção. O tênis, como outros esportes de quadra, faz muita rotação e acaba forçando a coluna vertebral, por isso, temos que nos preparar para a prática esportiva a fim de evitar lesões. Essa preparação deve focar em exercícios que fortaleçam a musculatura do core abdominal, estabilização do tronco, alongamento e melhora postural.

É importante também respeitar o corpo quando sentimos dor na coluna irradiada para membros inferiores ou quando os sintomas permanecem por mais de uma semana, devendo, assim, procurar um especialista para entender a gravidade, fazer o repouso e reabilitação necessários para a lesão cicatrizar corretamente e, principalmente, não aumentar, evitando que ela se torne crônica ou de difícil tratamento.

O diagnóstico da hérnia de disco é feito através da ressonância magnética, em que podemos determinar não somente o tamanho da hérnia como também sua localização. Lembrando que o diagnóstico preciso é sempre feito quando temos uma relação direta entre as alterações observadas na ressonância magnética lombar e os sintomas do paciente. Existem muitas dúvidas quando o paciente tenta decifrar o laudo da ressonância magnética e, de uma forma simples, é importante esclarecer que muito do que está escrito nele tem uma relação com o envelhecimento natural da coluna, visto que o laudo é feito com base na comparação de uma ressonância totalmente normal, o que ocorre somente em indivíduos menores de 18 anos.

O especialista é o único que consegue avaliar o que realmente pode estar relacionado com um problema mais grave. Outra dúvida que sempre surge no consultório é quando está escrito “protusão” ou “hérnia de disco”. A protusão é uma hérnia de disco, mas de menor tamanho, não uma pré-hérnia de disco, como muitas vezes costumam dizer.

O tratamento da hérnia em 90% dos casos é feito com o tratamento conservador que engloba medicações analgésicas, anti-inflamatório, relaxantes musculares e, nas dores mais fortes, analgésicos opióides. Outra forma de tratamento conservador pode ser feito com métodos fisioterápicos que se iniciam com analgesia, alongamento e, por fim, o fortalecimento muscular. Por um curto período de tempo também podemos utilizar coletes que ajudam a relaxar e proteger a musculatura e o disco intervertebral. No período de dor deve-se evitar a prática esportiva, visto que, além de causar um aumento do tempo de recuperação, pode gerar um aumento da lesão do disco quando esta não está cicatrizada. Nos casos em que não há melhora, podemos realizar bloqueios analgésicos com corticóide e anestésicos entre o disco intervertebral e as raízes nervosas inflamadas.

Já quando não há melhora com medicamentos e fisioterapia, ou há perda de força progressiva no membro inferior, indicamos o tratamento cirúrgico.  Atualmente, as cirurgias são cada vez menos agressivas e com abordagens minimamente invasivas ou endoscópicas, possibilitando uma rápida recuperação pela menor lesão da musculatura, menor incisão na pele, menor uso de analgésicos e menor tempo de internação. Por fim, não esqueça que toda atividade esportiva necessita de um bom preparo físico para evitar lesões. Também devemos respeitar os sinais do nosso corpo para que lesões pequenas não se agravem.



*Dr. Luciano Miller – ortopedista e cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein e diretor da Clínica Colunar.

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