Com 16 anos, tenista de Santo André se acostumou a enfrentar tenistas mais experientes e aparece entre os melhores do país no ranking juvenil

Entre os resultados e a evolução do jogo, a segunda opção é a que orienta a carreira de Nicolas Zanellato. Moldado para trabalhar assim no Instituto Tênis, o andreense acumula horas em quadra diante de adversários mais experientes, que estão na forma física ideal para a categoria – juvenil. Ainda assim, duas finais importantes neste ano já entraram em seu currículo.

O tenista de 16 anos, que começou a jogar no Aramaçan há uma década, foi vice-campeão do ITF Juniors de Curitiba em julho, mesmo com uma forte gripe desde as quartas de final. Há pouco tempo, na França, em tour pela Europa, só perdeu na decisão ao lado do parceiro Bryan Kuntz. As fotos para a matéria foram feitas justamente no clube de Santo André, onde notamos a existência de um jogador maduro nas palavras e trabalhado para ser um profissional de ponta.

“Mudei muito a minha forma de pensar sobre o tênis depois que comecei a treinar no Instituto Tênis. Consegui entender a disciplina e a autonomia que um jogador precisa ter para chegar lá. Confio muito no processo de trabalhar no dia a dia, tirando o foco apenas de resultados imediatos e hoje entendo que as conquistas são frutos do esforço dentro e fora da quadra. Os resultados acontecem naturalmente, são reflexo de um bom treinamento”, garante Zanellato.

Nesse processo de autonomia, o jovem diz que precisa subir degraus na parte física e mental. O parâmetro para a análise são jogos da categoria, alguns com rivais quase dois anos mais velhos. “Tenho trabalhado a pressão com a ajuda da psicóloga, durante os torneios procuro ficar bem concentrado evitando conversas paralelas com outros atletas, pois isso acaba distraindo e tirando o foco para a partida”, explica o tenista do ABC. “E procuro não pensar muito em quem será meu adversário, penso que treinei bem, me preparei, vou focar no meu jogo e fazer o melhor.”

Na preparação psicológica, há inclusive exercícios para tirar um pouco o peso da pressão, normal na modalidade. Apesar de ser novo para a categoria que joga, o atleta se cobra e tem na cabeça estar atuando em alto nível na ATP daqui a quatro temporadas. “Já temos que lidar com a pressão diária que muitas vezes nós mesmos colocamos e isso é um desafio, no sentido de que essa cobrança própria não atrapalhe. Imagina ainda sofrer por ter que mostrar resultados imediatos? O jogador já sabe o que quer e onde precisa chegar, acho que isso já é suficiente. O resto só traz frustração”, voltou a enfatizar, em raciocínio semelhante a Igor Gimenez, colega de treino no Instituto e personagem da última edição da Winner. “Faço minhas rotinas bem feitas para me sentir merecedor durante o jogo, com isso me sinto preparado e com menos pressão”, completou.

Desde o início no Aramaçan, Nicolas bate a esquerda com uma mão e diz que hoje consegue construir, atacar e se defender, mas crê tem de aperfeiçoar as devoluções de backhand. “Também tenho treinado muito as subidas à rede, busco ser um jogador completo, o tênis de hoje pede.”

Diferente de outros jovens, até com mais experiência, ele visualiza a carreira futura no tênis, inclusive atuando profissionalmente. Não pensa em plano B no momento. Assim como acontece com os demais colegas de profissão, um dos principais obstáculos é a questão financeira. Nicolas tem apoio fundamental do Instituto Tênis no custeio de viagens e hospedagem, parcerias com a Herbalife Nutrition Espaço Aramaçan e a Sodiê Doces, mas ainda depende da ajuda da família, presente desde sempre na trajetória do jovem. “Os custos daqui para frente vão aumentar com a quantidade de torneios que vou ter de participar. Estou em busca de novos parceiros.”

“Foram semanas de muito aprendizado na Europa, onde encontrei adversários mais fortes fisicamente, porém, tive muitas chances e acabei deixando escapar no detalhe nas simples. Já nas duplas, eu e meu parceiro Bryan Kuntz fizemos ótimos partidas, chegamos na final em Clermont Ferrand e em Dijon fizemos semifinal. O nível é consideravelmente superior em relação ao Brasil e podemos perceber isso devido à cultura e ao incentivo que os atletas possuem em relação ao nosso país”

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