Marcelo Melo não queria ser APENAS duplista, mas mudou de ideia com os resultados, questão financeira e as características em quadra

Todo mundo que acompanha o tênis sabe que o brasileiro Marcelo Melo é um dos melhores do mundo nas duplas. Porém, nem todos conhecem a história do mineiro antes de se tornar duplista, campeão de Roland Garros e número 1 do ranking.

A revista winner volta ao tempo e conta como foi o início da carreira do Girafa, quando ele ainda insistia em jogar simples. Na verdade, Melo não se planejou para o rumo que tomou a carreira.

“Assim como outros brasileiros, o Marcelo teve bons resultados no juvenil. Chegou a ser 28 do mundo em simples e 13 em duplas no ranking da ITF (Federação Internacional de Tênis). Mostrou potencial, mas a transição sempre é uma questão delicada”, recorda João Araripe, fundador e editor do site Break Point Brasil.

Antes de focar nas duplas, Melo conquistou dois futures individuais no México e chegou à 273ª posição no ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). Lutou bastante sob a tutela de Ricardo Acioly, ex-capitão do Brasil na Copa Davis, mas por falta de patrocínio, resultados e característica de jogo adequada, abandonou a simples em 2007.

“Ele pegou o fim da era saque-voleio, mas esse era o estilo que ele mais gostava e foi ficando cada vez mais difícil praticar isso, ainda mais porque ele gostava muito de jogar no saibro”, analisa o jornalista José Nilton Dalcim, diretor editorial do site TenisBrasil e que acompanha o circuito profissional desde 1980. “Então ficou difícil alavancar a carreira de simples, ainda mais porque ele tinha defeitos um tanto óbvios na devolução de saque e nas trocas de bola, o que ficou cada vez mais exigente no circuito moderno. Ele tomou a decisão certa e antecipou a ida para as duplas, ganhando um bom tempo para adquirir experiência”, completou. “O tênis é um esporte caro. Você precisa ser top 100, além de ter visibilidade, para não ficar no negativo. A questão financeira pesou”, endossa Araripe.

Marcelo Melo Duplas
Foto: Leandro Martins – Brasil Open 2015

A transição de simples para duplas não foi tão difícil para o brasileiro, que já fazia parceria em alguns campeonatos com o experiente André Sá. Os resultados não demoraram a vir. “Volear era fácil para o Marcelo. Ele precisou melhorar o saque, inclusive mudou o movimento nos últimos dois anos, e principalmente a devolução de saque, que era seu ponto mais fraco”, reforçou Dalcim. “Em um ano, conseguiu sucesso que jamais conseguiria durante toda a carreira em simples”, aposta João Araripe.

Aos 32 anos, a idade não deve ser um obstáculo para o mineiro a curto prazo, segundo os especialistas na modalidade. “Acho que o Melo está no time dos grandes duplistas porque reúne os quesitos técnicos com ótima forma física. Os duplistas de hoje não são mais aqueles jogadores de simples que se aposentam e cuidam pouco do corpo. Ele encara a dupla como seu ganha pão, enquanto muitos ainda se dividem com as simples”, opinou o diretor do TenisBrasil, projetando bons resultados para o tenista nacional mais bem posicionado no momento e esperança de medalha nos Jogos Olímpicos.


QUE DUPLA!

Parceiro de Marcelo Melo na Olimpíada, Bruno Soares deixou o amigo para trás e foi campeão do Aberto da Austrália, primeiro Grand Slam da temporada. O brasileiro apresentou como novidade a parceria com Jamie Murray, irmão de Andy Murray. O resultado só aumenta a expectativa para a dupla Soares e Melo nos Jogos Olímpicos.


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