Mesmo ficando de fora da Olimpíada, Thiago Monteiro já saltou 364 colocações neste ano e tem a maior ascensão no ranking da ATP

Em meio aos Jogos Olímpicos, Thiago Monteiro passou despercebido por quem não o acompanha frequentemente. Mas não deveria. Em um dos últimos rankings divulgados pela ATP, no dia 15 de agosto, o cearense apareceu pela primeira vez entre os 100 do mundo. Normal para países com tradição no tênis ou para jogadores que já estavam perto desse grupo, mas não nesse caso. Depois de ter iniciado a temporada na 463ª posição, o canhoto deixou 364 rivais para trás na lista e consolidou a maior ascensão de 2016 no circuito profissional.

Thiago Monteiro
Foto: Luiz Pires / Fotojump

Monteiro não tinha ranking suficiente para disputar a Olimpíada e ele sabia que esse sonho era quase impossível de realizar, mas já é aposta quase certa para daqui a quatro anos. Especialistas são quase unânimes em apontá-lo como sucessor natural de Thomaz Bellucci.

“Não dá para prever como estarei em 2020, mas terei 26 anos (tem 22 atualmente), bem mais experiente e espero estar consolidado entre os 50 melhores do mundo”, imagina o jovem, que deu entrevista exclusiva à Winner ABC na véspera da participação do qualifying do US Open – a primeira tentativa de entrada em um Grand Slam.

O salto meteórico na carreira de Thiago Monteiro veio com brilho e partidas inesquecíveis. Tudo começou em fevereiro, ao receber convite para jogar o Brasil Open, em São Paulo. Não se curvou ao poderoso Jo-Wilfried Tsonga, até então top 10 da ATP, e fez uma exibição de gala. Ganhou e comemorou façanha que nenhum outro brasileiro havia conseguido desde 2012. A partir daquele momento, já mostrou aplicação tática e concentração acima da média, além de um jogo sólido. E não parou por aí. O cearense avançou às oitavas de final do Rio Open e para as quartas do ATP de Gstaad, na Suíça, derrotando outro gigante: o também francês Gilles Simon. O primeiro título de challenger veio, ironicamente, na França.

Ranking ATP“Eu e minha equipe não esperávamos já neste ano (ficar entre os 100 do ranking e vencer oponentes de primeiro nível), mas vínhamos trabalhando duro para alcançar bons resultados. Foi um objetivo de vida alcançado, mas posso muito mais”, opinou o brasileiro.

A despeito de ter despontado no circuito apenas em fevereiro, Monteiro não é uma surpresa ou um raio que caio do céu para quem o vê desde o juvenil. Ele, inclusive, já ocupou a segunda posição no ranking mundial dessa categoria e demorou para deslanchar por fatores inerentes a atletas de alto rendimento e em transição para o profissional, tais como o próprio amadurecimento de jogo e especialmente as lesões. É daí que vem uma história que poucas pessoas têm conhecimento.

Thiago Monteiro
Foto: Luiz Pires / Fotojump

“Tive várias lesões, de ombro e joelho, que atrapalharam o processo de evolução mais rápida, mas ao mesmo tempo me fizeram amadurecer. Fiquei longe do tênis por meses e por pouco não tive que fazer uma cirurgia, tudo isso me fez trabalhar para voltar bem”, revela o tenista, que, se não fosse a orientação da sua equipe médica, poderia estar distante das quadras agora. “Sou grato ao médico Paulo Carvalho, que conseguiu me curar junto com o Alex Matoso, preparador físico. Eles evitaram uma cirurgia na última temporada, que me afastaria por um ano ou mais das quadras.”

Nota da redação: A ascensão de Juan Martin Del Potro não foi considerada na matéria pois o argentino já foi top 5 da ATP e só caiu bastante no ranking por conta de seguidas lesões.


Parceria de Peso

Thiago Monteiro
Foto: Luiz Pires / Fotojump

Na fase juvenil, Thiago Monteiro trabalhou por seis anos com Larri Passos, ex-técnico de Gustavo Kuerten. Em entrevista recente à Gazeta Esportiva, Larri comparou o estilo do jovem cearense aos europeus. “Viajei muito pela Europa com o Thiago e ele é bem respeitado por lá. Com 18 anos, jogava de igual para igual com ex-top 50. Jogou bastante na Europa na fase de transição. Quem conhece o tênis sabe o potencial dele: braços longos, pegada forte. Tem uma bola muito pesada”, descreveu o treinador, que passou o bastão para a equipe coordenada por João Zwetsch.

“O Larri foi muito importante para mim, duvidei se seguiria no tênis. Queria parar, mas ele chamou, conversamos, ele acreditava no meu potencial e não deixou eu parar. Foi fundamental. Em 2014, mudei para a Tennis Route, que vem me dando um grande suporte e crescimento por meio do João e o Duda Matos”, enumera Monteiro, que tem uma aproximação com Gustavo Kuerten, referência como tenista e pessoa.

Questionado sobre a disciplina tática, uma de suas qualidades, o tenista diz que a estratégia varia de adversário para adversário, mas não deixa de fazer uma autocrítica. “Meus pontos fortes são a direita e o saque, algo que evolui muito de um ano para cá e foi chave para meu crescimento. Creio que ainda preciso melhorar a devolução, o backhand e o físico, algo que venho aprimorando.”

Se tudo isso acontecer, um dia o jovem cearense poderá ser o dono das duas palavras que mais pronunciava no período em que ficou com Larri: Roland Garros. “A primeira meta é disputar. Título é sonho. Sigo passo a passo nos meus objetivos. Com o ranking que estou, entraria hoje em Roland Garros”, visualiza a nova aposta do tênis brasileiro.

Thiago Monteiro
Foto: Luiz Pires / Fotojump

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