Com apenas 14 anos, Thaisa Pedretti somou o 1º ponto na WTA e trilhou caminho para se tornar uma das principais promessas do tênis brasileiro

No já distante mês de outubro de 2013, um dos principais veículos de comunicação do Brasil estampava a manchete que causou impacto no tênis feminino: “Brasileira de 14 anos é a mais jovem do país a pontuar no ranking da WTA”. A menina em questão era Thaisa Pedretti, de São Bernardo.

A Winner ABC entrevistou a jogadora para contar os bastidores daquele momento histórico, em que a bernardense realizou um sonho que a maioria não alcança. Foi ali o ponto de partida para Thaisa se transformar em promessa da modalidade e priorizar desde cedo os torneios profissionais.

“Tudo começou graças ao meu pai, quando eu tinha apenas sete anos. Ele ia ao clube Mesc (em São Bernardo) jogar e me levava. Sempre quando eu ia, assistia aos treinos da escolinha do Edmilson Silva (professor e técnico), que era aos sábados. Ficava assistindo, até a hora que falei para meus pais que queria jogar tênis”, recorda a atleta, que quase sempre tratou o esporte como algo sério, mesmo sendo criança. “Fui me aprofundando, virou paixão à primeira vista. Quando completei dez anos, o Edmilson disse que eu estava pronta para começar a disputar campeonatos. Fiquei feliz, era o começo de uma jornada.”

A figura fundamental dos pais fazia a diferença e eles passaram a levar a filha para os torneios da Federação Paulista, um incentivo e tanto. Vieram os primeiros títulos, a oportunidade de treinar no Instituto Tênis e aí não demorou para aparecerem os resultados a nível nacional.

A façanha de Thaisa aconteceu em uma etapa do Circuito Feminino de Tênis, em Curitiba. Antes disso, porém, ela já havia acumulado vitórias pela América do Sul, inclusive conquistou o título do Banana Bowl, tradicional torneio infanto-juvenil do mundo. Ainda se sagrou campeã da Copa Gerdau com vitória em cima de uma mexicana. Mas voltamos à história do 1º ponto.

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“Fui para jogar o qualifying em Curitiba, mas cheguei lá e descobri que tinha ganho o convite para a chave. Fiquei muito feliz, era minha partida em uma chave profissional”, endossou a jovem, que não tomou conhecimento da rival Marcele Cirino e venceu por dois sets a zero.

“Era um campeonato novo para mim, sem conhecimento das meninas. Estava apenas começando a jogar com profissionais e era um ambiente totalmente diferente do que eu estava acostumada. Mas me acostumei rápido e foi um up para onde estou hoje”, diz a bernardense, atualmente com 17 anos.

Além de ter de lidar com a óbvia questão psicológica, de ser uma criança à época e abrir mão de parte da juventude, as primeiras experiências no profissional, em especial no Paraná, fizeram a tenista entender que deveria seguir naquela trajetória para continuar avançando na modalidade.

“A partir daquele 1º ponto, a minha equipe definiu que eu jogaria mais torneios juvenis na faixa dos 18 anos, já pensando em encurtar o tempo para participar das disputas profissionais, o que foi muito bom no meu desenvolvimento”, agradece Thaisa, que entrou pela primeira vez no ranking profissional no fim de agosto ao vencer na rodada de estreia do challenger de Campos do Jordão. Pelas regras da WTA, a tenista precisa pontuar em três campeonatos distintos no período de um ano para figurar na lista, algo que ela não conseguiu em 2013. As façanhas de Thaisa Pedretti não têm fim.


Desabafo

No hiato entre a conquista do 1º ponto e a sequência da carreira, Thaisa Pedretti teve de lidar com a pressão à brasileira por resultados. “Fora do Brasil, as pessoas valorizam o trabalho acima de tudo. Aqui, não se valoriza o esforço que a pessoa faz diariamente para estar atuando. Só nós (atletas) sabemos o quanto nós e a nossa equipe se entrega de cabeça. Esse esporte é louco, tem que ter muita força de vontade, se não nada se alcança”, desabafa a garota de São Bernardo.

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