Química do Esporte quebra paradigmas, conquista crianças e transforma duas escolas na cidade do ABC

O projeto social Química do Esporte nasceu em Mauá por dois motivos principais: pelo fato de o tênis ser uma eficiente ferramenta de desenvolvimento motor e cognitivo e para desmistificar a modalidade como elitista, já que é dada a chance da prática a crianças de locais mais carentes. Passados dois anos, porém, os resultados superaram as expectativas e as atividades contribuíram no processo de alfabetização dos alunos. Mais do que isso, uma das escolas participantes revelou à Winner ABC que não houve mais registro de atos de vandalismo – comuns até o início do projeto -, graças ao engajamento da comunidade.

Projeto Social
Foto: Marcello Zambrana

Em suma, o Química do Esporte muda a vida de crianças de 5 a 12 anos das escolas municipais Professora Neuma Maria da Silva, no bairro Paranavaí, e Professora Terezinha Leardini Branco, que fica no Jardim Zaira. A prática também é aberta à comunidade. Até julho, 1.500 jovens foram beneficiados por meio do tênis durante o turno escolar.

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Foto: Marcello Zambrana

“Os alunos que fazem parte do projeto vêm apresentando um ganho cognitivo e comportamental muito além do que esperávamos, temos exemplo daquele caso clássico de menino que dá problema em sala de aula. Após ter iniciado nas atividades, passou a respeitar os outros colegas e professores e ter um comportamento adequado em sala”, explicou Marcelo Rezende, presidente do IPDA (Instituto Paulista do

Desporto Amador), que é responsável pela execução do projeto. “As atividades também têm um papel fundamental para além da cognição, visto que desenvolve a consciência corporal, espacial e temporal, e especialmente estimula a transição do comportamento de autosatisfação, rumo à socialização”, completou a assistente de direção da Neuma Maria da Silva, Lucimara Loro Scudeler.

Em relação à metodologia de ensino, professores sem formação na área de educação física recebem capacitação, a fim de usar os materiais esportivos doados para o Química do Esporte e colocar em prática a linha básica do Play and Stay e o Teaching Games – jogo pelo jogo. As aulas acontecem nas próprias quadras poliesportivas, mas com direito aos acessórios básicos da modalidade: raquetes, redes e bolas.

“O diferencial é o cunho educacional total, com abordagens transversais, oficinas em parceria com as professoras em aulas de arte, nas quais são confeccionadas as raquetes, e também há materiais pedagógicos sustentáveis”, enfatiza o gestor do projeto, Ricardo Amaro.


Nova realidade

Projeto Social
Foto: Marcello Zambrana

O sucesso do Química do Esporte é comprovado pelo depoimento de Lucimara Loro, que uniu a escola Neuma Maria da Silva em torno do projeto. Em um primeiro momento, foi preciso lidar até com a resistência dos próprios professores, “uma vez que a princípio as aulas seriam somente para alunos do primeiro ano e as demais turmas perderiam espaço na quadra”.

“Na ocasião, eu era coordenadora pedagógica da escola e iniciei um trabalho de conscientização da equipe, mostrando que não somos responsáveis somente pelos meninos da turma que assumimos. Argumentei a questão da inserção de novas culturas na escola e no bairro e o quanto seria rico para as crianças terem contato com um universo diferente do que elas viviam, com um esporte que ainda não conheciam”, explicou Lucimara.

Naturalmente, o tênis também não era o preferido dos pequenos, mas isso logo foi mudando com o tempo e os próprios alunos passaram a levar irmãos e amigos. “A aceitação do esporte foi mais fácil do que imaginávamos. Só veio a constatar que o interesse permeia as oportunidades e a cultura é construída na mesma proporção do acesso.”

Projeto Social - Química do Esporte
Foto: Marcello Zambrana

A grande notícia, porém, foi na educação dos jovens e na conscientização. “Considerando que as atividades físicas promovem a formação de sinapses e o cérebro nessa fase é muito plástico, o ganho cognitivo é maior. Percebemos um avanço significativo no processo de alfabetização dos alunos da primeira série”, revelou a educadora. “Uma outra questão importantíssima tem relação direta com o respeito da comunidade pela escola pois tínhamos altos índices de vandalismo no prédio e há pelo menos um ano e meio estamos sem sofrer pichações ou vandalismos. Percebemos uma evolução cultural e social da comunidade, que passou a cuidar do bem patrimonial que é acesso de educação e lazer das crianças”, comemorou.

No fim das contas, alguns jovens já se transferiram da instituição de ensino em função da idade, porém continuam jogando tênis no espaço em que tiveram o primeiro contato com a modalidade. Outros já se destacam e são apostas até para uma Olimpíada futura, segundo Lucimara.


Legado

Com o resultado positivo do Química do Esporte (patrocinado pela Braskem), Mauá acabou sendo escolhida como um dos palcos de outro projeto social: o Circuito Tênis para Todos, que também leva o esporte a alunos da rede pública e capacita professores.

Projeto Social - Química do Esporte
Foto: Marcello Zambrana

 

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