Com 55 anos de história, SBTC se recuperou ao priorizar a modalidade e hoje é referência no Estado

Há uma década, o São Bernardo Tênis Clube era a casa de diversas modalidades, mas enfrentava dificuldades financeiras. A solução para o problema estava no próprio nome. Com a mudança do foco para o tênis, os associados compraram a ideia, a agremiação se estabilizou e hoje, com 55 anos recém-completados, se transformou em destino preferido de muitos praticantes, tendo como diferencial as cinco quadras de saibro cobertas.

“Naquele tempo, a primeira dificuldade foi convencer nosso próprio associado. Criamos uma taxa extra de quem praticava o tênis, além da própria mensalidade. A modalidade dava o maior custo na época”, explica o vice-presidente Marcelo Muoio.

Atualmente, o tênis responde por 70% do faturamento do SBTC e a agremiação tem fechado no positivo graças a essa taxa mensal cobrada de quem joga o esporte da bola amarela – R$ 100 por pessoa. Das 380 famílias que possuem título do clube, cerca de 60% são ligadas ao esporte. Aliás, para ter direito a jogar tênis, o outro pré-requisito é que o associado adquira o título, que gira em torno de R$ 4 mil.

O lucro com o tênis vem da taxa mensal, aluguel para empresas e também das aulas sociais, em que os três professores locam as quadras. O retorno é de mais de R$ 37 mil por mês. Por outro lado, as despesas com a modalidade chegam a R$ 18 mil, o que faz os dirigentes se movimentarem para alterar o quadro.

SBTC - Quadra Externa“Gastamos R$ 15 mil com energia, 70% voltada ao tênis. As luzes ficam boa parte do dia acesas na área coberta e só se apagam por volta das 23h30. Por isso, instalamos iluminação LED nas duas quadras descobertas. Além disso, tem a manutenção, aquisição de saibro e a necessidade de material para reposição”, enumera Marcelo. “Vamos fazer um teste nas duas de fora porque o pessoal está reclamando da situação atual, se convencer, vamos colocar nas cinco de dentro. É um valor caro (R$ 35 mil em cada) e nas quadras cobertas a iluminação é boa, não vamos arriscar trocar o que hoje consideramos bom por uma que não sabemos como será. Se o tenista aprovar do lado de fora, vamos substituir as internas. Tem um custo alto no investimento inicial, mas diminuirá o valor da energia em 10% e recuperamos os gastos em três anos pela economia da mesma.”

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No entanto, o chamariz do SBTC está nas cinco quadras cobertas, permitindo a prática do esporte mesmo em dias chuvosos.

“É o nosso grande diferencial, até em São Paulo você não vai encontrar muitos locais assim. Paulistano não têm, Pinheiros possui uma ou duas. Hoje você não acha o foco, como nós temos, no tênis. Também nos diferenciamos pela hospitalidade. Somos um clube familiar e temos a característica de receber bem”, explica o vice-presidente.

Entretanto, ter um piso que não fica exposto ao tempo exige cuidados. Nas descobertas, há uma espécie de manutenção natural, com o próprio sereno umedecendo o piso e o sol ajudando na preservação. Já as quadras com teto pedem manutenção três vezes ao dia, de acordo com a necessidade. Fora isso, o SBTC ainda tenta resolver a temperatura alta no ambiente interno – inevitável no verão.

No ano passado, as sete quadras de saibro foram reformadas, cada uma ao custo de R$ 7 mil. “Fizemos a reposição do saibro, a irrigação e conseguimos fazer uma parceria para a manutenção (grupo de seis pessoas faz o trabalho específico uma vez por semana e funcionários da agremiação executam a manutenção básica). Antes, as linhas davam diferença grande, desnível, ficava um buraco grande e qualquer bola que batia na linha desviava”, recorda Marcelo, ressaltando que agora não há mais esse tipo de “surpresa” desagradável ao tenista. Sobre a escolha única pelos pisos de terra batida, o dirigente diz que faz parte da cultura do SBTC e lembra que boa parte dos associados é composta pela terceira idade, que ficariam mais propensos a lesões jogando em superfície de cimento.

Para seguir girando a roda, trazer novos sócios e resgatar o orgulho, o São Bernardo Tênis Clube aposta também na equipe de treinamento liderada pelo ex-profissional José Nascimento Junior, o Juninho, e na realização de torneios. E assim a roda continua girando. O tênis tem vida na Vila Vivaldi.

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