Melhor brasileiro do último Australian Open Juvenil, Bernardense Igor Gimenez avisa que está preparado para o profissionalismo; tenista não se assusta em fazer mudanças no jogo

No Aberto da Austrália, primeiro Grand Slam da temporada, Igor Gimenez só parou nas oitavas de final e fez a melhor campanha entre os brasileiros na chave juvenil. Entretanto, os resultados não vêm em primeiro lugar para o atleta de São Bernardo. Com apenas 18 anos e estimulado pelo trabalho no Instituto Tênis, organização sem fins lucrativos que tem como meta levar um tenista para o topo do ranking mundial até 2033, o tenista adaptou o próprio jogo e a mentalidade. Para Gimenez, a cultura de se cobrar vitórias de imediato no país impede o desenvolvimento dos jogadores.

 “A gente pode pegar o exemplo de dois gigantes do tênis, o Federer e o Nadal, que conquistaram tudo, mas mesmo assim se permitiram mudar, tiveram humildade para mudar e melhorar. Se até eles tiveram que pagar o preço, quem somos nós (juvenis) para não pagar”, questiona o jovem, prestes a entrar no profissionalismo.

Para compreender a carreira e a visão de Gimenez sobre o tênis, é necessário voltar no tempo. Ele começou a jogar por influência do irmão – disputou os primeiros campeonatos na Liga ABC (veja na foto abaixo), onde vencia com frequência meninos dois anos mais velhos – e, em pouco tempo, se transformou em promessa do país. Foi o número 1 do Brasil aos 12 anos, quando despertou o interesse do Instituto Tênis.

“Eu era muito competitivo, lutava por todos os pontos e acabava brigando um pouco mais que os outros meninos pela vitória. Isso foi algo que me fez ganhar muito com 12 anos, mas não foi uma coisa boa necessariamente, pois me trouxe uma falsa ilusão sobre como era o circuito”, recorda.

Nas temporadas seguintes, o tenista do ABC conquistou títulos dos sonhos para garotos em fase de formação, como o Banana Bowl, Copa Gerdau e o Sul-Americano. Entretanto, perto dos 15, não se via jogando bem e amadureceu graças ao suporte dos profissionais do Instituto.

Igor Gimenez
Foto: Divulgação

“Tive que mudar a empunhadura da minha direita, esse é um problema de vários meninos também”, explica Igor Gimenez. “A maior diferença que senti quando cheguei no Instituto foi a maneira como tratam a rotina e os treinamentos, eles mostram exatamente o caminho que você tem que percorrer para chegar onde quer”, acrescentou.

Instalado em Barueri, o Instituto Tênis tem no juvenil um de seus potenciais candidatos a número 1 do mundo. “Com certeza isso passa pela minha cabeça. Nós sempre trabalhamos para jogar um tênis moderno, bem agressivo, que vai dar certo no futuro, isso é algo que vejo que falta muito no Brasil. No país, temos a cultura de querer sempre o resultado de imediato e isso, às vezes, não deixa o tenista fazer grandes alterações na mentalidade e no jogo, fundamentais para se atingir o real potencial”, opinou.

Moldado no Instituto para fazer um pouco de tudo, como salientou na entrevista, como subidas à rede, devolução de dentro da quadra e saber manter o nível em todos os tipos de quadra, Gimenez subiu mais degraus na carreira. No ano passado, somou o primeiro ponto na ATP e no Aberto da Austrália nenhum brasileiro avançou tanto na competição quanto ele.

“Foi uma experiência incrível na Austrália, viver aquele ambiente, ver como os profissionais se comportam para estar lá. Sabia que poderia conseguir um resultado bom. Eu vinha bem, acho também que meu jogo se adapta à quadra rápida”, diz o Bernardense, que não se preocupa com a iminente transição para o profissionalismo. “Não me assusto, acredito que é uma coisa que venho me preparando faz tempo, não vai ser fácil, mas tenho claro o que tenho de fazer.”


PATROCÍNIOS

A proximidade do profissionalismo exige a presença cada vez mais constante na Europa, mas a questão financeira é um problema. O Instituto – por meio de leis de incentivo – ajuda, e muito, mas o juvenil busca também o auxílio de patrocinadores para ter a chance de jogar o número de torneios necessários. Recentemente, por exemplo, o pai tirou do próprio bolso a verba para uma tour pelo velho continente.

A ideia é se firmar nos futures nesse restante de temporada, antes de subir o nível em 2019.

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