Com muita determinação, Vinicius Rodrigues deixou de ser um dos “piores” do início da carreira e se tornou esperança do tênis brasileiro; andreense tem voleio como um dos pontos fortes

Entre falar e pagar o preço no tênis brasileiro, há uma distância que abrevia carreiras, mas esse não é o caso de Vinicius Rodrigues. Quando iniciou os treinos na equipe Juninho Tennis, o andreense sequer acompanhava o ritmo dos companheiros. Apresentava nível inferior, porém, com a dedicação e as aptidões estimuladas pelos profissionais próximos, passou a ganhar de todos em pouco tempo. Chegou ao topo do ranking nacional de 12 e 14 anos. Nascido em 2003, é olhado atualmente com carinho por técnicos e especialistas que militam no tênis brasileiro. Em dezembro, inclusive, recebeu elogios de André Sá, confirmando característica incomum em se tratando de um jovem tenista do país: a eficiência na rede.

Juninho Nascimento

“Ele não é o cara mais talentoso que já treinei na vida, mas é muito determinado. Se precisar treinar domingo, às seis da manhã, ele vai, vai nos feriados, fica em hotel e não reclama. Quando veio trabalhar conosco, tínhamos grupo de 4 a 5 garotos, ele nem arranhava, mas em dois anos não perdia de mais ninguém. Continuou treinando forte, há dias que fica 10 horas em quadra”, revela o treinador Juninho Nascimento.

Com finais e título de sul-americano e presença em pré-quali de torneios profissionais, tem nível forte para a idade. Experiência também. Foi um dos primeiros a disputar uma partida na arena olímpica, ao jogar o Evento Teste da Rio-2016. Nesse ano, viajou a Roland Garros para elevar os treinos da colega Ana Paula Melilo, que participou do Grand Slam. Voltou com outra mentalidade e viu que é possível, conforme disse em entrevista à Winner. 

Vinicius Rodrigues em Clínica com André Sá

“Foi sensacional a oportunidade de estar lá, em meu torneio preferido, e ver os melhores juvenis e profissionais do mundo. Isso abriu o caminho, ficou mais claro que é onde quero chegar, virou um objetivo e sei que terei uma oportunidade se continuar me dedicando”, acredita o jovem. “Ele viu como os treinos dos caras não são diferentes do que fazemos e está com outra postura, ainda mais focado. O Vinicius é disciplinado na parte tática, sabe alterar o ritmo das partidas, tem esse diferencial de enxergar bem o jogo. É um grande talento”, enumera Juninho. Depois de Roland Garros, o tenista entendeu que precisava treinar ainda mais e as 10 horas em quadra, num só dia, têm se tornado frequentes.

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O campeonato dos sonhos de Vinicius Rodrigues é no saibro, piso em que costuma treinar, mas o andreense não hesita em subir na rede. “Não é típico do nosso tênis ter um cara que vai bem na rede. Geralmente, os tenistas são sólidos apenas de fundo, até porque jogamos muito em saibro”, enfatiza Juninho.

Vinicius Rodrigues - Paraguai

Em um dos últimos grandes resultados que obteve, o vice-campeonato do Cosat no Paraguai, Vini lembrou que venceu o jogo das quartas de final indo para a rede na maioria dos pontos. “Sempre gostei de matar os pontos nos voleios e smashs. Logo descobri que tinha uma facilidade para esse tipo de jogo, por isso tenho bons resultados nos torneios de duplas”, explicou o jovem, que tem 1,82 m. Em clínica realizada em dezembro no São Bernardo Tênis Clube, André Sá ficou impressionado com a qualidade do menino – como um todo, não só na rede.

Grato pelo apoio das empresas Just Line e MDS, o tenista da equipe Juninho Tennis pretende pontuar em curto prazo no ranking mundial da ITF Júnior. Para o futuro, se vê no top 10 da ATP. “Mas tenho de treinar muito e viajar para jogar grandes torneios”. Concluiu.

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