Em meio a uma modalidade que gera dúvidas pela falta de apoio, eles compartilham os desafios, lutas pelo Brasil afora e sonhos concretizados

Os cinco já estamparam as páginas da Winner ABC em edições anteriores, mas amadureceram desde outrora e se transformaram em representantes do tênis da região pelo mundo, em diferentes categorias. Na condição de exemplos para os jovens, Vinicius Rodrigues, Nicolas Zanellato, Igor Gimenez, Thaísa Pedretti e Enrique Bogo – apresentados por ordem de idade – abordam os desafios e incertezas da modalidade e compartilham sonhos alcançados, a despeito de ainda não terem “explodido” a nível mundial.

Foto: Luiz Press

Jogar uma categoria acima da idade é prática comum para os mais novos, basta pegar como exemplo Rodrigues. Segundo o tenista da academia Juninho Tennis, que é da geração de 2003 e já joga os ITF Juniors, nesse tipo de campeonato não adianta apenas passar a bola para o outro lado da quadra e aguardar por um erro do adversário. Os tenistas suportam a pressão e, se o andreense vacila por um instante, a partida vai embora rapidinho sem dar chance de recuperação.

“A dificuldade que atravesso no momento é uma fase de poucas vitórias, mas tenho acumulado bagagem e aprendizado grande para o futuro. É difícil se motivar após uma gira de torneios que caio nas primeiras rodadas, chegar com aquela vontade extrema de treinar, mas volto ao Brasil com uma cabeça bem melhor na tomada de decisões dentro de quadra que me surpreende”, revela Vini, que tem como uma das qualidades a capacidade de se adaptar ao estilo do adversário, inclusive com jogo de rede sólido.

E a pressão, quase um sinônimo que define o tênis de alto nível? Na transição para iniciar a disputa de eventos profissionais, Nicolas Zanellato adota estratégias para não pecar mentalmente. “Continuo na linha de não me pressionar e buscar jogar o mais solto possível. Percebo que quando consigo atuar com menos pressão, os resultados são satisfatórios”, explica o jovem, motivado por ter colecionado bons resultados na temporada. “Hoje vejo que com os altos e baixos que um tenista passa, preciso ter paciência para acabar não atrapalhando o foco, nem ficar muito feliz quando venço e nem desanimar quando perco. Tenho que achar o equilíbrio nas derrotas e nas vitórias, é nisso que tenho focado.”

Foto: Thiago Parmalat

A temporada de Zanellato só não é melhor por causa de problemas físicos, aspecto que atrapalha justamente a carreira de Igor Gimenez. Todos os atletas já passaram ou vão atravessar dificuldades do tipo em função das necessidades de se jogar bastante: para adquirir rodagem, atrair patrocinadores, ter bom ranking para entrar em torneios, entre outros.

“Estou com problemas nos dois joelhos desde julho do ano passado, ainda não cheguei a um diagnóstico completo sobre o que tenho. Não sai em nenhuma ressonância, os demais exames não apontaram nada de errado. O único sintoma é muita dor. O tênis, muitas vezes, leva ao extremo e tem que tomar muito cuidado para não acabar acarretando em problemas maiores”, orienta Gimenez, destaque brasileiro no Australian Open Juvenil de 2018. “Treinar por um longo período para competir, mas chega uma hora que as dores ficam muito fortes e aí preciso parar. Só estive em um future nesse ano, em São José do Rio Preto”, lamentou.

Foto: Nelson Toledo / Fotojump

Amizade com Cibulkova

Nessa gangorra que é o tênis, o principal nome da atualidade no ABC é Thaísa Pedretti. Firmando-se cada vez mais no profissionalismo, a bernardense ostenta até um grupo de fãs que costuma acompanhá-la em torneios. A jovem tenista afirma viver a melhor fase da carreira, confirmada com três títulos recentes em Cancún, no México, além de fazer final de um torneio com premiação de 25 mil dólares nos Estados Unidos, superando tenistas top 300.

“O Juninho (Nascimento, treinador) tem me ajudado muito, tudo isso que estou passando devo a ele, que dá força e trabalha duro comigo diariamente”, elogiou Thaísa, que volta e meia costuma bater bola nos treinamentos com Vinicius Rodrigues.

Foto: Rafael Pignataro

Em 2019, a tenista do ABC realizou o sonho de ser convocada para a Fed Cup, competição por seleções, em confronto com a Eslováquia. A potente equipe adversária teve entre suas integrantes Dominika Cibulkova, ex-top 10 do ranking mundial, e com quem Thaísa iniciou uma amizade.

“Foi uma experiência incrível, entrar no ginásio lotado, carregando a flâmula e ouvir o hino nacional. A Cibulkova é uma grande tenista que gosto bastante pela sua entrega e pela pessoa que é. Vê-la ao vivo foi incrível, a intensidade que coloca em quadra”, descreveu ela, que chegou a conversar e tirar fotos com a eslovaca.

“Sigo com tanta intensidade por unir minha profissão a um propósito” depoimento de Enrique Bogo, tenista profissional

Meu momento atual é um pouco complicado, pois estou na faixa de 1.200 do ranking ATP, mas meu nível já é de 800 ou 900. Isso não sou eu quem falo e sim os próprios caras que estão dentro dos 800. Essa situação acontece com bastante tenista da minha geração aqui na América do Sul. No cenário atual do tênis brasileiro, fica muito duro para um garoto se sustentar na carreira, tem que realmente ter muito amor pelo o que se faz. Outra questão para seguir com tanta intensidade e evolução é unir minha profissão à missão de vida, propósito, ou o que quer que seja. Por mais que a sociedade diga que só os 100 primeiros que são bons e o restante são todos fracos, sei que muitos dariam tudo para estar onde estou, chegar onde cheguei, sei que tem pessoas que investiram rios de dinheiro e não vão conseguir chegar aqui, então esse privilégio que eu tenho de conviver com grandes do esporte, de viajar o circuito (circuito que a TV não mostra), eu posso usá-lo para compartilhar os aprendizados e trazer para as pessoas, fazer essa ponte que é tão difícil aqui no país. 

Foto: Adilson Martins

Fotos: Vinicius Rodrigues (Luiz Press) – Nicolas Zanellato (Thiago Parmalat) – Igor Gimenez (Nelson Toledo – Fotojump) – Thaisa Pedretti (Rafael Pignataro) – Enrique Bogo (Adilson Martins)

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