Juninho somou o 1º ponto na ATP graças a técnico que insistiu para que ele não largasse a carreira e amigo que pagou viagem a Pernambuco

Meu 1º ponto ATP - Juninho Nascimento
Meu 1º ponto ATP – Juninho Nascimento

Somar pontos no ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) não é algo comum na vida de um tenista. A maioria termina a carreira zerado em função das dificuldades impostas pelo circuito profissional. No ABC, José Nascimento Junior, o Juninho, é um dos poucos que obteve tal façanha e abre o quadro Meu 1º ponto na ATP.

Se não fosse a insistência de amigos e um técnico em especial, o tenista da região jamais teria visto seu nome na ATP. Juninho era pegador de bola numa academia em que o pai cuidava das quadras, história parecida a da conterrânea Teliana Pereira. Foi aí que ele conheceu o tênis. Aos 16 anos, já ganhava dinheiro em torneios de primeiro classe, até que pensou em desistir da modalidade ainda juvenil.

Resgatado por Edmilson Silva, professor do MESC, o jogador se motivou e passou a entrar em torneios com a ajuda dos próprios alunos do clube, que faziam “vaquinha” para vê-lo em ação.

Após ser campeão de um campeonato importante em São Paulo, ouviu de um amigo empresário: “Por que você não joga um torneio profissional?”. A resposta era simples. “Eu não tinha grana”, recorda Juninho, que acabou surpreendido com o rumo que tomou aquela conversa. “Esse amigo, o Cortegoso, perguntou o que eu precisava para participar de uma competição desse nível e eu falei que era a passagem. Teria um future em Recife. Então, o Cortegoso pediu para eu ligar para a secretária dele para acertar isso. Não liguei, ele insistiu e acabou me ajudando. Outro conhecido, o Mauro, depositou dinheiro para a comida”, conta.

Em 2007, aos 21 anos, o tenista partiu para Pernambuco, justo o Estado onde nasceu. “Fui para perder na primeira rodada do qualifying e voltar, aí fui até a última rodada, quando enfrentei um menino que tinha feito semifinal na Argentina recentemente. Pensei que tomaria pau, mas passei”, detalha.

Classificado para a primeira rodada da chave principal, veio o jogo tão esperado na vida de Juninho, aquele que poderia lhe dar o 1º ponto na ATP. O ruim é que do outro lado estava um adversário do qual ele era freguês. Daí vem as histórias que não sairão nunca da memória.

Leia também:  “O Nadal sempre foi minha inspiração, busco jogar igual a ele”, diz Wild

“Peguei um cara, o João Visinger, meu amigo até hoje, que eu sempre perdia. Havia sido 6-2/6-1 para ele da última vez. Nessa partida, abri 5 a 2 no primeiro set, mas ele virou para 7/5. Pensei que perderia de novo, só que no intervalo do set coloquei a toalha na cabeça e veio um filme na cabeça. Minha irmã me ajudou bastante, nem pegava ônibus para economizar dinheiro e ajudar em casa. Falei comigo que não perderia de novo”, revela, explicando a motivação para conseguir a virada que parecia improvável. “A torcida me apoiava muito porque poderia ser o primeiro pernambucano a marcar pontos na ATP. Eles ficaram em cima, em cima, e eu fiz 6/0, 6/0. Nem acreditei quando ganhei o jogo, fiquei até arrepiado”, completa.

Juninho passou mal. Nem tanto pela emoção, mais porque não havia se alimentado direito por causa da verba escassa para a viagem. A única refeição acabou sendo o café da manhã no humilde hotel em que se hospedara. “Não tinha dinheiro para comer naquele dia, fui para a quadra sem almoçar e o pior que a rodada atrasou, passou das 13h às 16h. Se eu comprasse um misto quente, por exemplo, não teria dinheiro para arrumar a raquete, caso a corda quebrasse”, não se esquece o tenista, hoje dono de uma academia em Santo André.

Com a missão cumprida, manchetes nos jornais locais e o sonho realizado, teve de recorrer ao amigo para renovar a diária, afinal não esperava avançar à segunda rodada. Perdeu na sequência, mas a alegria já estava garantida.

Juninho somou 20 pontos ao todo na ATP e se aposentou do profissional com apenas 24 anos pela falta de valorização, algo já recorrente na década passada.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor deixe seu comentário!
Por favor preencha seu nome