Referência no assunto, doutor Fábio César dos Santos diz que análise do DNA pode fazer parte de um trabalho integrado que visa melhora da performance do tenista

De todos os esportes, o tênis é um dos que mais pede atletas completos do ponto de vista físico. Nesse cenário, saber sobre a genética pode ajudar no desempenho, mas por si só não é capaz de determinar o limite de um jogador ou o campeão de um torneio – até porque a ciência ainda não descobriu a função da maior parte dos genes.

Referência no assunto e um dos médicos mais respeitados do país em saúde funcional e medicina do estilo de vida, Fábio César dos Santos diz que a análise do perfil genético é essencial para potencializar as capacidades do atleta. Com os dados em mãos, é recomendado um trabalho personalizado que pode alterar os caminhos desse tenista, otimizando a sua performance.

“A genética isoladamente não é destino. Precisamos entender os hábitos do competidor, bem como características de seu histórico e cruzar todos esses fatores com um planejamento estratégico adequado feito por equipe multidisciplinar”, enumera o doutor.

“A genética não é o destino. Mas o que está escrito no nosso livro genético, transmitido através de nossas gerações, faz parte fundamental do que seremos em nossas vidas. A influência do meio externo, em tudo o que nos cerca, incluindo os nutrientes que nos chegam através da dieta ou suplementos, a forma como lidamos com movimento e exercício, a quantidade e qualidade de nosso sono, a forma como lidamos com eventos estressantes, tem interação fundamental com nossas variantes genéticas”

Dados recentes mostram que há gene que é mais comum em atletas de força do que nos de resistência, por exemplo. “Os cientistas estão encontrando mais genes que influenciam a capacidade atlética e eu espero que isso possa ser usado para adaptar programas de treinamento, para que todos atinjam o melhor desempenho possível”, acrescenta Fábio César dos Santos, que também é colunista do programa Fôlego, da Rádio Bandeirantes. Um dos genes citados pelo especialista é o ACTN3, conhecido como ‘gene sprint’ e que codifica uma proteína encontrada somente nas fibras musculares de contração rápida, usadas para velocidades e movimentos de explosão.

Fábio César dos SantosSe você descobrir por meio da análise que não tem um gene necessário para jogar tênis, não se desespere e fique achando que está em desvantagem. Daí entra a importância da nutrição personalizada. “Hoje sabemos através dessas análises que temos genes ‘respondedores’ e ‘não respondedores’ a diferentes estímulos. Os dados mais fortes que encontramos são os relacionados aos nutrientes. Certos nutrientes são capazes de ajudar caminhos metabólicos, modular respostas inflamatórias, entre outras coisas, podendo ajudar no estímulo muscular”, ensina o médico. “Claro que os aminoácidos são os constituintes básicos para formar proteínas e músculos, mas não é só isso. Você tem uma série de outras substâncias, entre vitaminas e minerais, que dão uma resposta mais satisfatória”. Há, porém, um tripé que deve ser respeitado para obter melhor performance: além da própria alimentação, tem a questão do quanto de estímulo hormonal é recebido pelo corpo e a exigência de um treino bem orientado para fazer a musculatura responder.

O médico afirma que não existe idade ideal para fazer a avaliação genética, mas enfatiza que “o quanto antes soubermos trabalhar sobre essas variáveis, maior potência podemos ter em nossas intervenções”. Fábio dos Santos orienta os jogadores a treinarem mais o aspecto em que eles sejam favorecidos pela genética, a fim de alavancar os resultados.

“A coleta do material genético é um procedimento bastante simples feito através da saliva ou de esfregaço da mucosa oral (bochecha). Em atletas, talvez o ponto mais importante seja identificação de variantes genéticas que afetem diretamente a performance”


O TÊNIS

Para o treinador e colunista da Winner ABC, Ricardo Coelho, o tênis atual exige série de capacidades. “Precisa ter a mistura de força, resistência e velocidade no tênis. Tirando a técnica e a estratégia de jogo, o físico é super importante. Se você chega bem na bola, se está bem equilibrado, faz a diferença. Estar equilibrado, vale reforçar, tem a ver com a força, de ficar parado e firme no chão para bater e, se você não tiver isso no tênis, fica complicado. Não adianta ser inteligente, ter talento e não ter físico”, comentou.


ACESSÍVEL

O médico, que presta consultoria ao grupo InYou, que trabalha a análise genética em cruzamento com dados do estilo de vida em uma plataforma digital, lembra que os testes vêm se tornando mais viável financeiramente. “Não tenho dúvidas que a medicina personalizada, com foco no estilo de vida e na funcionalidade do metabolismo de cada atleta é que faz a diferença. E vamos falar a verdade, quem é que não gostaria de saber um pouquinho mais sobre si mesmo?”

*Fábio César dos Santos é cardiologista pós-graduado em nutrologia, presidente fundador da Associação Brasileira de Saúde Funcional e do Estilo de Vida (ABRASFEV), vice-presidente da Associação Latino-Americana de Medicina do Estilo de Vida (LALMA), membro do Board Internacional em Medicina do Estilo de Vida (IBLM), diretor nacional do projeto global True Health Initiative e fundador presidente do evento anual Lifestyle Summit Brazil

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