Simples medicamentos, se usados sem avaliação, podem punir e atrapalhar a carreira do tenista

Um dos assuntos que mais assombram os atletas, das mais variadas modalidades, é o medo de cair no doping, ou seja, transgredir as regras impostas pela Agência Mundial Anti-Doping (WADA), através da detecção em formato de análises, fora ou dentro de competições, de substâncias ou métodos tidos como proibidos pela entidade. A listagem com os nomes ilegais é atualizada no primeiro dia de cada ano.

No meio do tênis, diversos casos estão registrados na história (veja quadro). Para o atleta não seguir a lei e ser punido, o caso pode ser de imprudência, negligência ou desconhecimento. Resumidamente, o esportista pode conhecer a regra, se expor sem necessidade e mesmo assim correr o risco, como nos exemplos de usos de esteroides anabolizantes, hormônio de crescimento, eritropetina (EPO), entre outros. O segundo caso, de negligência, traz o jogador que não se importa com a consequência, agindo de forma displicente, seja com drogas ilícitas, como a cocaína – já somando diferentes nomes que testaram positivo no tênis. Por fim, o desconhecido é o que cai, mas por inexperiência ou desinformação, com medicações comuns ou complexas e que entram nas listas anuais de atualização.

O doutor Bruno Borges Hernandes, especialista em medicina esportiva pelo HC-FMUSP e Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e do Exercício (SBMEE), alerta ainda sobre a questão dos medicamentos convencionais, e que também estão entre os proibidos. “A lista de medicamentos que devem ser evitados é extensa, mas de maneira geral os remédios comuns proibidos são descongestionantes nasais que contenham pseudo-efedrina, como Alegra D, Claritin D, Cedrin. Analgésicos que contenham isomepteno, que são a Neosaldina, Doralgina. Medicamentos com glicocorticóides, como Predsim, Meticorten, Prelone. Além de alguns remédios para tratamento de calvície, diuréticos, inibidores do apetite e outros”, enumerou.

O médico explica que medidas simples e eficazes evitam problemas futuros, como seguir a atualização das listas, ou perguntar para um profissional antes de utilizar ou consumir quaisquer produtos. “O doping é algo complexo que envolve muita responsabilidade do atleta, portanto, oriento aos meus pacientes fazer uma lista de todas as medicações que habitualmente costumam fazer uso e consultar junto ao médico do esporte a isenção destes medicamentos. Outro quesito é comprar somente suplementos de marcas conhecidas ou preferir pela manipulação em farmácia de confiança do médico e do nutricionista, além de jamais tomar qualquer medicamento ou fórmula de manipulação sem consultar previamente o seu médico do esporte”, definiu.

Outra dica importante é estar atento a remédios ou suplementos que possam entrar na casa do atleta sem seu conhecimento, ou ainda com a vida íntima, já que substâncias podem ser absorvidas apenas com o toque, caso da pele com o gel de reposição hormonal. Quem se enquadra nesse exemplo é o francês Richard Gasquet, pego no doping com traços de cocaína em 2009. Na justificativa, o tenista profissional alegou ter sido “contaminado” depois de beijar uma mulher.

“Para melhorar a performance o atleta deve ter muita disciplina e se guiar pela tríade: treino adequado, alimentação adequada e descanso adequado. É importante um acompanhamento multidisciplinar com técnico, médico do esporte, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, e assim ter todo o suporte para as devidas necessidades”, concluiu Hernandes.

Abaixo alguns nomes de casos de doping:

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