Depois de tantos anos dando aula e sendo treinador, trabalhei de várias formas para ensinar tênis. Com a experiência de cursos e testando o aprendizado com crianças, vi que a melhor maneira de ensinar é jogando e colocando a técnica aos poucos, sem adotar um modelo fragmentado. É uma metodologia diferente em comparação à antiga, quando se ensinava a técnica e depois jogava.

O método anterior fazia o jogador ficar com uma técnica bonita e apurada, mas ele tinha dificuldade para ter percepção e entender melhor o jogo. Não estou querendo dizer aqui que você não tenha que fazer os famosos drills ou lançamento de bola para o aluno treinar a técnica, mas há a hora certa para implementar esse tipo de atividade, sem se esquecer do todo.

O método mais moderno proporciona ao tenista ou aluno compreender melhor o jogo e treinar os quiques de bola, que é muito difícil para quem está iniciando, e também serve para o praticante intermediário, que apresenta algumas dificuldades de percepção.

Essa metodologia, importante dizer, serve tanto para crianças quanto para adultos. Com os jovens, claro, de uma forma mais lúdica e linguagens mais apropriadas para eles.

Atualmente, nós conhecemos um método francês que considero apropriado para crianças, que vai justamente por essa linha de aprender jogando.

As crianças amam desafios e jogos. Com o ensino francês, os pequenos disputam pontos, pulam, correm e têm desafios individual ou em grupo – equipes.

O mais importante para as crianças é o equilíbrio entre ensinar a técnica e manter as brincadeiras e jogos, primordial para o desenvolvimento.

Na parte técnica, as crianças necessitam de percepção e deslocamentos. Para ficar claro aqui, a percepção é o tempo de reação em que o aluno percebe a trajetória da bola, se irá para a direita ou esquerda, longa ou curta. No deslocamento, se o aluno efetua a posição inicial com o saltito (split step), conseguirá uma antecipação melhor e adequada para acertar um bom golpe.

Os professores que quiserem cativar as crianças terão de levar a sério as brincadeiras e diversões, mas jamais perder o jogo e a técnica de vista, colocando aos poucos as necessidades de cada aluno.

Outro quesito muito importante no desenvolvimento das crianças ou de um iniciante adulto são as bolas.

Existem três tipos de bolas antes da oficial: as vermelhas, que são 75% mais lenta em relação às ‘normais’, a laranja, 50% mais lenta, e a verde, 25%. A de cor vermelha é para crianças entre sete e oito anos, a laranja para idade que varia de oito a nove anos, enquanto a verde é ideal para aqueles que têm de nove a dez.

O adulto, a título de comparação, pode iniciar com a laranja ou a verde, dependendo das habilidades motoras.

Voltando às crianças, não se pode pular as etapas de bolas e idade. O tamanho das quadras também é muito importante para os professores, fator crucial para conseguir desenvolver e estimular ao máximo o jovem. Quanto menor a idade, mais reduzida a área utilizada para o treino. Conforme a criança vai adquirindo o controle, habilidades e ficando mais experiente, se amplia o tamanho da quadra até chegar ao tamanho oficial.

Gostaria de enfatizar aos professores e técnicos que não deixem de se capacitar, sempre precisamos adquirir conhecimento porque estamos trabalhando com crianças. Precisamos estar cientes do que fazemos para não surgirem problemas de lesão, por exemplo. Até a próxima.


Dicas de Ricardo CoelhoRicardo Coelho é treinador na área de competição do clube Hebraica, Tênis Clube de Mogi das Cruzes e Tênis Clube de São Caetano. Na função de técnico, viajou para três torneios Grand Slam com Júlio Silva, Rogério Dutra Silva e a argentina Maria Argeri. Formou-se em biomecânica aplicada ao tênis, em curso internacional da ATP e nos cursos de níveis 1, 2, 3 e 4 da CBT e ITF.


 

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