Há alguns anos atrás, o tênis se dividia em dois estilos de jogo: saque e voleio e fundo de quadra. Era corriqueiro ver tenista ganhando torneio na superfície em que o seu jogo se adaptava mais

Com o passar do tempo, as mudanças foram ocorrendo e o tênis ficou mais rápido por conta da tecnologia de material das raquetes, cordas e bolas, e também, claro, devido à evolução do treinamento.

Já escutamos falar em diminuir a linha do saque em função da velocidade do serviço, em mexer na bolinha para ficar mais lenta – o que não foi aceito pelos jogadores – ou até elevar a rede.

Mas, a verdade é que o jogo mudou. O treinamento foi se atualizando, a preparação física também, e os jogadores se tornaram mais fortes e velozes.

Hoje, vemos pouco saque e voleio por conta da velocidade da bola, com as devoluções ficando cada dia melhor. Por conta das devoluções perfeitas, aliadas ao aumento da velocidade dos atletas como um todo, os tenistas passaram a ficar mais no fundo de quadra. O jogo ganhou em rapidez do fundo, fazendo com que o esporte tomasse outra proporção.

O fato de Nadal vencer Wimbledon duas vezes e Roger Federer ser campeão uma vez em Roland Garros servem como exemplo das quebras de paradigma. Atualmente, o jogador tem que ser completo. Para ter sucesso em todas as quadras, ele precisa fazer muito bem todos os golpes, ser forte no fundo de quadra e saber se defender. Também é primordial atacar com eficiência e sacar com variações por conta das devoluções, jogar na rede, ter físico bom e mental forte. Se o tenista não atender a todos esses pré-requisitos que mencionei será difícil acompanhar os adversários.

Outra mudança importante de se frisar, no passado os jogadores de fundo atuavam atrás da linha de base. Hoje, esses mesmo atletas se posicionam em cima da linha, cortando tempo para desequilibrar o oponente.

Essas tendências que menciono ocorreram alguns anos atrás, também é importante lembrar que estão voltando a surgir atletas que batem apenas com uma mão.

O que veremos daqui para frente são tenistas bons taticamente e com controle emocional, acredito que esses dois fatores podem fazer a diferença adiante.

Forte abraço e nos vemos em breve.


Ricardo CoelhoRICARDO COELHO é coordenador técnico da Hebraica. Na função de técnico, viajou para três torneios Grand Slam com Júlio Silva, Rogério Dutra Silva e a argentina Maria Argeri. Formou-se em biomecânica aplicada ao tênis, em curso internacional da ATP e nos cursos de níveis 1, 2, 3 e 4 da CBT e ITF

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