Com a ideia de apresentar elementos para qualificar o treinamento na fase de formação e desenvolvimento do tenista, vou tratar nessa coluna da forma que trabalho com esses jovens jogadores que já iniciaram a disputa de competições. Todos os exercícios devem ser transmitidos por meio do jogo, com situações e adversidades que se aproximam da realidade.

O primeiro ponto que gosto de estimular é o controle (que é aliado à consistência), sem esse aspecto é difícil jogar tênis. Há várias formas de trabalhar o controle e destaco a marcação, que é onde você (na condição de técnico) quer que a bola caia. No início, as dificuldades são normais, mas com o tempo fica natural. É importante ao treinador cobrar a técnica e mostrar porque o tenista está errando. O controle também pode ser trabalhado com quantidade de bolas determinada para executar.

Eu também gosto de usar o que chamamos de intenção no tênis, palavra que vai de encontro ao que o técnico quer melhorar no jogo do atleta. Ele vai criando aspectos táticos, no início trabalha com os drills, depois com as bolas vivas. Como o exercício é de intenção, o treinador cria uma jogada, como por exemplo uma bola profunda, seguida de outra no ângulo e a última na paralela. Essa sequência faz com que o jovem grave as jogadas – se a criança não consegue enxergar onde tem dificuldade, esse estímulo serve para corrigir.

Nesse trabalho com tenistas em formação, gosto de trabalhar a movimentação das pernas utilizando as mãos. Quando entra na bola viva, é essencial ao menino bater em movimento. A velocidade da bola, assim como a trajetória e efeitos, são estímulos importantes que os técnicos devem repetir. O exercício de movimentação também pode ser realizado com drills por meio de uma sequência, buscando ter situação real de jogo.

Importante frisar, com os trabalhos táticos desde pequeno as jogadas saem com mais facilidade, proporcionando melhor entendimento do jogo e fixação do que é treinado.

Uma outra situação é com o saque e a devolução. Estimulo o menino a sacar aberto, fazer uma primeira bola aberta e depois matar o ponto ou então, na outra situação, ao receber ao receber o saque aberto, o jogador devolve no contrapé. São vários “joguinhos” que dá para implementar nesse tipo de treinamento.

Com esse trabalho, o jogador vai aprendendo a como bater na bola, como conduzir a velocidade que quer golpear a redonda e também a bater nesses tipos de bolas. Faço esses exercícios duas vezes por semana, priorizando jovens de 10 a 12 anos. Quando eles chegarem aos 16 anos, tendem a não apresentar dificuldades ao conduzir a velocidade e controle.

Falei de situações que todos nós, treinadores, devemos ter em mente. É sempre bom frisar que a neurociência tem evoluído muito nos treinos de tênis, lá fora se usa essa abordagem. No Brasil, é trabalhada bastante no futebol e no vôlei.

Fiz uma atualização recentemente que me reforçou a importância de implementar no treino, trabalhar 15 minutos por treino já ajudará e depois de um tempo você notará a diferença.

São trabalhos cognitivos e de tomadas de decisão. O tênis tem esses aspectos enraizados no jogo e quanto mais cedo começar, melhor, seja para seu atleta ou filho.

Até a próxima.

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